Caruaru vira capital do curta-metragem a partir desta quarta-feira (19). O Teatro João Lyra Filho recebe o 13º Festival de Cinema de Caruaru, que reúne 39 produções de todo o país e de cinco nações sul-americanas em quatro noites de sessões abertas ao público.
Além das exibições, o evento promove debates mediados pelo crítico Edu Fernandes e encerra, no sábado (22), com a entrega do Troféu José Condé aos destaques das mostras competitivas, que avaliam direção, roteiro, atuação e outras áreas da produção cinematográfica.
Quatro noites de cinema gratuito
A seleção de filmes foi distribuída em cinco mostras competitivas — Pega Leve, Agreste, Brasil e Latino-Americana — e duas sessões especiais: uma dedicada a obras produzidas em Caruaru e outra em homenagem ao cineasta, escritor e professor pernambucano Marcos Buccini. Com classificação indicativa variada, a programação contempla desde títulos infantis até obras voltadas ao público adulto.
Estreia na quarta (19)
- Pega Leve: abertura com “Vem Coisa Boa por Aí”, de Guilherme Carravetta (RS, 15 min).
- Latino-Americana: oito filmes de Argentina, Peru, Colômbia, Chile e República Dominicana, incluindo “Duas Estrelas” (11 min) e o colombiano “Catatumbo: Casa do Trovão, Memória e Dignidade” (7 min).
- Agreste: produção nordestina em foco com “Sinesio — Da Magana a Santa Cruz” (PE, 11 min), “Letargia” (PB, 20 min) e “Umbuzeiro” (RN, 19 min).
- Brasil: “Rupestre” (PI, 20 min), “Há Sinais” (RO, 15 min) e “Mãos Rapper” (PR, 16 min) fecham a noite.
Segunda noite, quinta (20)
- Pega Leve: “Ludmilla”, de Vini Moreira (DF, 15 min).
- Agreste: três títulos gravados no agreste pernambucano e na Paraíba, com destaque para “Feito em Belo Jardim” (18 min) e o caruaruense “Crueza” (12 min).
- Brasil: seis curtas; chamam a atenção “A Mesa” (RN, 14 min), “Moderna” (PE, 19 min) e “Pedaços de Mim” (SP, 14 min).
Sexta (21) reserva mais Nordeste
- Pega Leve: “Novo Atendimento”, de Tales Ordakji (SP, 11 min).
- Agreste: três histórias filmadas na Paraíba e em Caruaru, entre elas “O Último Stint” (17 min).
- Brasil: destaques para “Os Arcos Dourados de Olinda” (PE, 20 min), “Primo Holandês” (AL, 19 min) e “Ainda Te Amo” (MA, 15 min).
Sábado (22): pratas da casa e homenagem
- Mostra Especial Caruaru: “As Últimas Protagonistas” (12 min), “Dois é Par” (5 min) e “Sob a Janela” (14 min) evidenciam o audiovisual local.
- Mostra Especial Marcos Buccini: exibição de “A Morte do Rei do Barro” e “Nimbus”, cada um com 4 minutos, revê a carreira do homenageado.
- Na sequência, ocorre a cerimônia de premiação das mostras competitivas.
Debates após as sessões
Ao fim de cada noite, o público pode conversar com diretoras, diretores e equipes técnicas dos filmes projetados. As conversas, conduzidas por Edu Fernandes, exploram processos de criação, roteiros, desenho de som, montagem e desafios de produção. A troca direta, tradicional no festival, transforma a plateia em protagonista e amplia a compreensão sobre o fazer cinematográfico.
Troféu José Condé valoriza curtas
O Troféu José Condé, concedido desde a primeira edição, leva o nome do jornalista, crítico e cineasta pernambucano falecido em 2010. A estatueta será entregue para melhor curta em cada mostra, além de prêmios de atuação, fotografia, direção de arte, trilha sonora, roteiro e montagem. Jurados convidados deverão avaliar critérios técnicos e narrativos, estimulando novas vozes do audiovisual.

Imagem: Internet
Marcos Buccini: o homenageado
Professor do curso de Cinema da Universidade Federal de Pernambuco, roteirista e escritor, Marcos Buccini coleciona prêmios em festivais nacionais. A sua filmografia, marcada pelo diálogo com a cultura popular e pelo interesse em temas históricos, será revisitada em sessão especial no sábado. O diretor divide com estreantes o mesmo espaço de exibição, reforçando o compromisso do festival com diversidade e formação de público.
Serviço
- Quando: 19 a 22 de agosto, a partir das 19h.
- Onde: Teatro João Lyra Filho, Rua Duque de Caxias, centro de Caruaru.
- Ingressos: entrada franca, retirada uma hora antes de cada sessão.
- Acessibilidade: o teatro dispõe de rampas, poltronas adaptadas e intérprete de Libras durante os debates.
Panorama da 13ª edição
Com 39 títulos, o 13º Festival de Cinema de Caruaru mantém a marca de ser um dos eventos mais plurais do interior do Nordeste. As obras representam todas as regiões brasileiras e trazem olhares da Argentina, Peru, Colômbia, Chile e República Dominicana, oferecendo um mosaico de sotaques, estéticas e narrativas. Para realizadores, participar do festival significa projetar seus trabalhos diante de um público diverso e crítico; para a cidade, é oportunidade de fortalecer a cena cultural e movimentar a economia criativa local.
A organização aposta em um formato compacto, focado em curtas, para permitir que mais histórias sejam exibidas em menos tempo e aproximar o público de linguagens experimentais. A gratuidade das sessões, mantida desde a primeira edição, democratiza o acesso e consolida o festival como vitrine acessível do cinema independente.
