Empresário acreano Rafael Brito morre aos 32 anos durante tratamento de aplasia medular em São Paulo

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    O empresário acreano Rafael Brito de Sá, de 32 anos, não resistiu às complicações de uma aplasia medular gravíssima e morreu na última sexta-feira (14), em São Paulo, onde fazia tratamento especializado. A notícia mobilizou familiares, amigos e autoridades de Rio Branco, que acompanharam a luta de quase dois meses do jovem contra a doença rara.

    Casado com a advogada Caroline Dantas e pai de um menino de apenas um ano, Rafael teve o corpo velado no domingo (16) na Igreja Família IDE, no bairro Seis de Agosto, e sepultado no Cemitério Morada da Paz, também na capital acreana. A despedida foi marcada por forte comoção.

    Vida dedicada à família e aos negócios

    Nascido em 12 de julho de 1994, Rafael construiu carreira no setor de serviços e comércio em Rio Branco. Conhecido pelo perfil empreendedor, mantinha o cotidiano dividido entre o trabalho e os momentos com a esposa e o filho, a quem costumava dedicar as publicações nas redes sociais.

    Antes da doença, a rotina incluía visitas frequentes a clientes e participação em projetos dentro da comunidade evangélica que frequentava. Colegas o descrevem como um “resolvedor de problemas” e apontam que a capacidade de liderança o levou a assumir postos de gestão em diferentes frentes de negócio ainda muito jovem.

    Luta contra a aplasia medular

    Os primeiros sinais de que algo não ia bem apareceram em junho, quando Rafael passou mal e foi levado a um hospital de Rio Branco. Exames iniciais revelaram plaquetopenia intensa, indicando risco de sangramentos. A investigação se aprofundou e chegou ao diagnóstico de aplasia medular, condição em que a medula óssea deixa de fabricar células sanguíneas adequadamente.

    Com o quadro classificado como “gravíssimo”, a equipe médica recomendou a transferência imediata para São Paulo, referência nacional em doenças hematológicas. Em julho, o empresário iniciou quimioterapia em um centro especializado, enquanto a família organizava uma força-tarefa para localizar doador compatível de medula óssea. Testes em parentes próximos, entre eles uma irmã, não apontaram compatibilidade suficiente.

    Internação na UTI e agravamento

    A baixa produção de glóbulos vermelhos, brancos e plaquetas obrigou Rafael a receber múltiplas transfusões de sangue. Em 18 de julho, uma piora repentina levou à transferência para a Unidade de Terapia Intensiva. A partir dali, familiares passaram a divulgar boletins diários nas redes sociais pedindo orações e doações de sangue. Mesmo com os esforços, o empresário evoluiu para falência múltipla dos órgãos e morreu na madrugada de sexta-feira.

    O que é a doença

    A aplasia medular é considerada rara: o Ministério da Saúde estima incidência anual de 1,6 caso por milhão de habitantes no Brasil. Trata-se de falência parcial ou completa da medula óssea, responsável por fabricar glóbulos vermelhos (que transportam oxigênio), glóbulos brancos (defesa do organismo) e plaquetas (coagulação).

    • Anemia grave: ocasiona cansaço intenso e palidez.
    • Infecções recorrentes: consequência da baixa de glóbulos brancos.
    • Sangramentos: pela falta de plaquetas, pequenos traumas podem se tornar graves.

    Quando o quadro atinge o nível gravíssimo, como no caso de Rafael, o transplante de medula costuma ser a alternativa mais eficaz. Contudo, a chance de encontrar doador 100% compatível fora da família é reduzida, o que explica a corrida de parentes e amigos para ampliar o cadastro de doadores no Redome (Registro Nacional de Doadores Voluntários de Medula Óssea).

    Despedida em Rio Branco

    Após o óbito, o traslado foi agilizado para possibilitar o velório ainda no fim de semana. No domingo, centenas de pessoas passaram pela Igreja Família IDE, onde pastores lembraram a dedicação de Rafael a projetos sociais e de evangelização. Autoridades locais, entre elas o prefeito de Rio Branco e representantes da Assembleia Legislativa, enviaram coroas de flores e notas de pesar.

    O cortejo seguiu pelas ruas do bairro Seis de Agosto até o Cemitério Morada da Paz. Ao fim da cerimônia, familiares ressaltaram a importância das doações de sangue recebidas ao longo do tratamento e agradeceram o apoio. A advogada Caroline Dantas, muito abalada, disse apenas que o marido “combateu com fé” e deixou um legado de amor ao próximo.

    Doença rara desafia sistemas de saúde

    Além da dor da perda, a morte de Rafael Brito evidencia os desafios do tratamento de doenças hematológicas raras na região Norte. Sem centros de alta complexidade em hematologia, pacientes geralmente precisam ser removidos para polos como São Paulo ou Rio de Janeiro, arcando com custos de deslocamento e estadia da família.

    Para especialistas, a rapidez no diagnóstico faz diferença decisiva. Em casos como o de Rafael, o intervalo entre a primeira manifestação clínica (queda abrupta nas plaquetas) e a chegada a um hospital de referência reduziu-se a poucas semanas, mas não foi suficiente para assegurar um transplante.

    Números que revelam a raridade

    • 1,6 caso por milhão de habitantes ao ano no Brasil, segundo o protocolo do Ministério da Saúde.

    • Cerca de 80% dos transplantes de medula no país usam doador não aparentado cadastrado no Redome.

    • A probabilidade de compatibilidade entre irmãos biológicos gira em torno de 25%, dados que explicam a frustração da família ao testar a irmã de Rafael.

    Legado e comoção

    Em Rio Branco, uma campanha espontânea foi criada nas redes para manter viva a memória do jovem empresário. Amigos pretendem organizar ações de incentivo à doação de sangue e de cadastro de medula óssea em homenagem a Rafael. Já a família, em nota, afirmou que seguirá à frente dos negócios do grupo e que o filho do casal “crescerá ouvindo sobre a coragem do pai”.

    Nos próximos dias, a Igreja Família IDE deve realizar um culto especial. Também está prevista uma sessão na Câmara Municipal de Rio Branco para registrar, em ata, voto de pesar e reconhecimento pelos serviços prestados por Rafael Brito à comunidade local.

    Rafael Oliveira é criador de conteúdo digital e editor com foco em entretenimento, reality shows e notícias do mundo dos famosos. Seu trabalho é voltado para levar informações rápidas, atualizadas e relevantes sobre os principais acontecimentos da TV e das redes sociais.