A corrida pelo Governo de Sergipe em 2026 apresenta um retrato desigual quando o assunto é patrimônio. Enquanto Fábio Mitidieri (PSD) entregou à Justiça Eleitoral uma lista de bens que totaliza R$ 1,69 milhão, o concorrente Ricardo Marques (PL) declarou não possuir qualquer bem. Os números constam nas prestações de contas já disponíveis na plataforma DivulgaCand do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), cujo prazo de entrega encerrou-se em 15 de agosto, véspera do início oficial da campanha.
Além de balizar a transparência exigida por lei, as declarações oferecem aos eleitores um primeiro olhar sobre o perfil econômico de quem pretende administrar o Estado. Ao todo, seis chapas registraram candidaturas — cada uma formada por titular e vice — para disputar a preferência do eleitorado em 4 de outubro, data do primeiro turno. Caso nenhum nome alcance a maioria absoluta, o segundo turno está agendado para 25 do mesmo mês.
O que cada candidato informou ao TSE
Fábio Mitidieri (PSD) — R$ 1.698.945,66
- Apartamento avaliado em R$ 519,4 mil.
- Outro imóvel no valor de R$ 491,7 mil.
- Terreno estimado em R$ 82 mil.
- Quotas de empresas somando R$ 50.121,70.
Mitidieri, que lidera a lista de patrimônio entre os postulantes, tem como companheiro de chapa Jeferson Andrade, também do PSD. O vice declarou R$ 5.138.783,73 em bens, montante superior ao do próprio cabeça de chapa.
Ricardo Marques (PL) — R$ 0
Único a informar ausência total de bens, Marques sustenta que não possui patrimônio em seu nome. A vice na coligação, Pastora Salete (PL), apresentou a mesma condição, sem qualquer item declarado.
Emanuel Cacho (PSDB) — R$ 600.000
- Casa estimada em R$ 500 mil.
- Veículo avaliado em R$ 100 mil.
Na chapa encabeçada por Cacho, a candidata a vice, Suely Barreto (PSDB), afirmou não ter bens registrados.
Valmir de Francisquinho (Republicanos) — R$ 258.000
- Utilitário Toyota SW4 no valor de R$ 233 mil.
- R$ 25 mil em espécie.
Sua companheira de chapa, Priscila Felizola (Republicanos), declarou R$ 1.322.570,41, distribuídos entre imóveis e aplicações financeiras.
Taty Cristina de Jesus (DC) — R$ 108.000
- Caminhonete Hilux, ano 2018, financiada.
- R$ 10 mil em dinheiro.
O vice escolhido pelo Democracia Cristã, Simão Barbosa, informou R$ 222 mil em patrimônio, valor que inclui um imóvel residencial e aplicações bancárias.

Imagem: Internet
Dr. Helton Monteiro (PSOL) — R$ 47.000
- Veículo Fiat Freemont, ano 2012.
Helton Monteiro é o segundo com menor patrimônio entre os titulares. Sua vice, Izaltina Quilombola (PSOL), não registrou bens.
Datas-chave do pleito sergipano
Com o encerramento do prazo de registro em 15 de agosto, as campanhas foram oficialmente liberadas a partir de 16 de agosto. O calendário eleitoral prevê os seguintes marcos:
- 4 de outubro — Primeiro turno da votação para governador, senador, deputados e presidente.
- 25 de outubro — Segundo turno, se houver necessidade, para os cargos de governador e presidente.
Transparência e acesso público às informações
O envio da declaração de bens é requisito obrigatório para a candidatura, previsto na Lei das Eleições. As informações ficam disponíveis ao público no sistema DivulgaCand, mantido pelo TSE, onde qualquer cidadão pode consultar detalhes sobre patrimônio, plano de governo e certidões criminais dos concorrentes.
Em caso de inconsistências ou omissões, o Ministério Público Eleitoral pode acionar o candidato para que preste esclarecimentos. O eleitor também pode fiscalizar e denunciar indícios de irregularidade, fortalecendo o caráter de controle social sobre a vida pública.
Com a divulgação oficial, o patrimônio passa a ser um dos pontos avaliados na comparação entre propostas e histórico de cada candidato. A partir de agora, caberá ao eleitor decidir se o cenário financeiro de quem disputa o Palácio dos Despachos pesa — ou não — na hora de definir o voto.
