Incêndio em lixão de Iranduba já dura quase um dia e ameaça residências e rede elétrica

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    As chamas que consomem o lixão de Iranduba, município da Região Metropolitana de Manaus, avançaram durante toda a madrugada e já se aproximam de moradias e da fiação elétrica ao longo da estrada AM-070. O fogo, iniciado na tarde de quinta-feira (13), persiste há quase 24 horas, gerando uma densa cortina de fumaça que atinge bairros vizinhos e preocupa sobretudo famílias com idosos.

    Equipes do Corpo de Bombeiros do Amazonas mantêm guarnições no local desde o começo da ocorrência, mas admitem que a estrutura disponível não basta para eliminar os focos subterrâneos de lixo e entulho. Mais de 230 mil litros de água foram aplicados até o início da tarde desta sexta-feira (14), sem resultado definitivo.

    Fogo avança em direção a casas e rede elétrica

    O terreno usado para descarte de resíduos fica a poucos metros da AM-070, principal via que liga Manaus a Iranduba e Manacapuru. Com o vento forte, labaredas e faíscas já alcançam a vegetação à beira da estrada. Moradores relatam que cabos de energia estalam sob o calor intenso, aumentando o risco de interrupção no abastecimento e de acidentes.

    Em bairros próximos, a fumaça entra pelas janelas mesmo com portas fechadas. Márcia Andrade, de 63 anos, diz que o cheiro forte agrava problemas respiratórios pré-existentes de vizinhos idosos. “A gente acordou tossindo, parecia madrugada de neblina preta”, contou.

    Operação dos bombeiros enfrenta obstáculos

    Segundo o comandante-geral da corporação, coronel Orleilso Muniz, o incêndio exige retroescavadeiras e tratores para romper camadas compactadas de lixo em combustão. “Sem máquinas pesadas é impossível chegar à base do fogo. Enquanto há oxigênio entre os resíduos, ele reaparece”, afirmou.

    Volume de água já supera 230 mil litros

    • Tanques e caminhões-pipa ficaram em regime de revezamento.
    • Há necessidade de hidrantes mais próximos; o ponto de captação fica a três quilômetros.
    • Não foi divulgado o número exato de militares mobilizados, mas ao menos quatro viaturas continuam na área.

    Máquinas abandonadas dentro do perímetro do lixão também correm risco de ser consumidas pelo fogo. Caso alcancem reservatórios de combustível, a intensidade do incêndio pode aumentar.

    Impacto ambiental e riscos à saúde

    Na capital amazonense, esta sexta-feira apresentou novo pico de poluentes dispersos na atmosfera, segundo especialistas ouvidos pela reportagem. A fumaça de Iranduba se soma a focos de calor em vegetação periférica de Manaus, provocando irritação nos olhos, tosse e agravamento de doenças pulmonares.

    O meteorologista Emmanuel Braga explica que, nesta época do ano, correntes de ar predominantes deslocam partículas finas dos municípios vizinhos para o centro urbano da capital. “Isso eleva o Material Particulado e reduz a visibilidade. Afeta especialmente crianças e idosos”, disse.

    Situação de emergência não está descartada

    A Defesa Civil estadual monitora a evolução do incêndio para decidir se recomenda decreto de emergência local. Caso o fogo escape da área do lixão e atinja a mata adjacente, o combate passa a exigir apoio aéreo para contenção de linha de fogo.

    Cenário estadual: queimadas em ritmo recorde

    Dados do Corpo de Bombeiros apontam quase 1,2 mil incêndios registrados em Manaus e arredores só em 2026, crescimento superior a 300% em relação ao mesmo período do ano passado. Nos dois primeiros fins de semana de agosto, 223 ocorrências florestais foram atendidas.

    Especialistas associam o aumento à intensa estiagem na bacia amazônica. A vegetação seca funciona como combustível fácil, e queimadas irregulares agravam o quadro. A combinação tem levado a sucessivos alertas de qualidade do ar na capital. Leia também: Qualidade do ar piora em Manaus.

    O que diz a Prefeitura de Iranduba

    Procurada, a administração municipal informou ter deslocado duas retroescavadeiras e caminhões caçamba para a linha de frente. Técnicos da Secretaria de Meio Ambiente avaliam multar empresas que descumprirem normas de destinação de resíduos sólidos.

    Em nota, a prefeitura também aconselhou moradores vizinhos ao lixão a manter portas e janelas fechadas e usar máscara de proteção sempre que possível. Equipes de saúde básica estão de prontidão para atender casos de crise respiratória.

    Orientações à população

    1. Evitar atividades físicas ao ar livre enquanto houver fumaça densa.
    2. Buscar unidades de saúde diante de sintomas como falta de ar persistente.
    3. Acionar imediatamente o Corpo de Bombeiros (193) ao notar expansão das chamas.

    Próximos passos no combate

    O Corpo de Bombeiros aguarda a chegada de escavadeiras contratadas pela prefeitura ainda nesta sexta-feira. A expectativa é que, com a remoção do lixo incandescente e o abafamento com terra, seja possível encerrar a operação nas próximas 48 horas.

    Enquanto isso, a fiscalização na AM-070 foi intensificada para evitar engarrafamentos causados pela fumaça e para garantir rota livre aos veículos de emergência. Motoristas são orientados a reduzir a velocidade e manter faróis ligados nos trechos críticos.

    Se as condições climáticas continuarem secas e ventosas, autoridades não descartam a necessidade de um “Dia D” conjunto entre prefeituras de Iranduba e Manaus, bombeiros, Defesa Civil e órgãos ambientais para conter simultaneamente diferentes focos de calor na região metropolitana.

    Rafael Oliveira é criador de conteúdo digital e editor com foco em entretenimento, reality shows e notícias do mundo dos famosos. Seu trabalho é voltado para levar informações rápidas, atualizadas e relevantes sobre os principais acontecimentos da TV e das redes sociais.