Golpe do falso advogado faz médico de Anápolis perder R$ 500 mil; Polícia prende suspeitos no Ceará

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    Um médico de Anápolis, região central de Goiás, viu quase todo o dinheiro que guardava para investir no próprio consultório desaparecer depois de aceitar instruções de quem se apresentou como “advogado do processo”. O prejuízo, estimado em R$ 500 mil, levou a Polícia Civil de Goiás a deflagrar a Operação Quimera na manhã desta quarta-feira (12), que terminou com três prisões em Fortaleza e o cumprimento de 60 ordens judiciais entre mandados de busca, bloqueio de bens e quebras de sigilo.

    De acordo com o delegado Leonilson Pereira, responsável pelo inquérito, o grupo usava informações autênticas de ações judiciais — incluindo nomes de advogados de verdade e números de processos públicos — para convencer vítimas a depositar quantias via PIX sob pretexto de liberar valores de indenizações ou alvarás. Os suspeitos, agora sob investigação por associação criminosa, estelionato e lavagem de dinheiro, teriam atuado em diferentes estados.

    Como o golpe era aplicado

    Segundo os investigadores, os estelionatários montavam uma espécie de call center a partir da Região Metropolitana de Fortaleza. Com acesso a bancos de dados públicos do Judiciário, eles rastreavam ações com potencial de gerar valores a receber. Quando encontravam alguém com vitória recente ou andamento favorável, entravam em contato por telefone, e-mail ou aplicativos de mensagem, sempre usando nome de advogado real — mas sem qualquer vínculo com o escritório verdadeiro.

    Uso de documentos forjados

    Para reforçar a aparência de legitimidade, o grupo encaminhava atas, despachos e ofícios que imitavam timbres de tribunais. No caso do médico goiano, a “papelada” informava que a liberação de uma indenização só ocorreria após o pagamento de custas processuais e taxas cartorárias, totalizando pouco mais de R$ 30 mil. Convencido, ele transferiu o valor em três etapas. Em seguida, surgiram novas demandas: imposto de renda retido na fonte, honorários complementares e supostos emolumentos bancários.

    “A vítima acreditava estar agilizando a entrega de um alvará de R$ 1,2 milhão. O prejuízo final chegou a meio milhão, entre empréstimos pessoais, recursos guardados e limite de cheque especial”, detalhou Pereira. Quando percebeu que o dinheiro prometido nunca caía na conta, o médico procurou a delegacia de crimes cibernéticos em Anápolis.

    Detalhes da Operação Quimera

    A investigação avançou após rastreamento dos números de telefone utilizados pelos criminosos. Os sinais apontavam para a Grande Fortaleza, onde agentes obtiveram autorização judicial para monitorar conversas, extrair dados de nuvem e cruzar informações bancárias. O resultado foi um pacote de 60 medidas judiciais:

    • 12 mandados de busca e apreensão em residências e escritórios;
    • 3 mandados de prisão temporária contra os principais articuladores;
    • quebras de sigilo telefônico e telemático de 12 investigados;
    • sequestro e bloqueio de contas bancárias, carteiras virtuais e veículos de luxo.

    No momento das buscas, a polícia apreendeu celulares, notebooks, comprovantes de transferência, cartões de memória e um caderno com anotações de “alvos” divididos por estados. O material segue para perícia, que deverá identificar eventuais operadores financeiros responsáveis por lavar o dinheiro desviado.

    Suporte da Polícia cearense

    A atuação interestadual exigiu a participação da Polícia Civil do Ceará, que forneceu efetivo e inteligência local. “Sabíamos que os suspeitos mantinham rotina discreta, mas administravam valores altos. A cooperação viabilizou vigilância contínua até o momento da prisão”, explicou o delegado cearense que acompanhou a ação.

    Golpe sofisticado, dano direto

    Embora o foco atual esteja no caso do médico de Anápolis, os investigadores já contam ao menos outras oito vítimas, espalhadas entre Goiás, Distrito Federal e São Paulo. A suspeita é de que o prejuízo global ultrapasse R$ 2 milhões. Em todas as ocorrências, o roteiro se repetia: dados de processos autênticos, contatos insistentes e sucessivos pedidos de depósitos com caráter de urgência.

    Especialistas ouvidos pela reportagem lembram que a consulta processual é pública, o que facilita o acesso de golpistas. “Basta o número da ação ou o nome das partes para encontrar informações no site do tribunal. Com criatividade, eles geram documentos falsos quase idênticos aos originais”, observa o perito em crimes digitais André Salgado, que não participa da investigação.

    Consequência para os advogados verdadeiros

    Advogados cujos nomes foram usados indevidamente relatam prejuízo à reputação. O Conselho Seccional da Ordem dos Advogados do Brasil em Goiás (OAB-GO) adiantou que estuda acionar judicialmente os responsáveis e prepara campanha de orientação sobre verificação de identidade profissional.

    O que muda para as vítimas

    A prisão temporária dos três primeiros suspeitos vale por 30 dias, prazo em que a polícia pretende esclarecer fluxos financeiros e identificar cúmplices. A partir do bloqueio de contas, peritos tentam rastrear parte dos valores para eventual restituição das vítimas. O médico enganado já apresentou extratos bancários e contratos de empréstimo, documentos que reforçam o pedido de ressarcimento.

    Até o fim da apuração, os presos podem responder por estelionato, associação criminosa, falsidade ideológica e lavagem de dinheiro. As penas somadas ultrapassam 20 anos de reclusão. Conforme o delegado Leonilson Pereira, a continuidade do golpe mesmo após denúncias anteriores indica “caráter profissional e altíssimo grau de organização financeira”.

    Orientação preventiva

    A Polícia Civil reforça que nenhum tribunal exige pagamento prévio para liberar alvarás ou indenizações. Qualquer dúvida deve ser tirada diretamente com o advogado constituído ou, em caso de processo sem representação, consultar o cartório judicial. Denúncias podem ser encaminhadas pelo telefone 197 ou pela delegacia virtual.

    Enquanto aguarda o desenrolar do inquérito, o médico de Anápolis retomou sua rotina no hospital local. Ele afirma que a experiência trouxe lição amarga: “Confiamos porque as informações batiam com o que estava no processo. Quando percebi, era tarde. Espero que ninguém mais passe por isso”.

    Novos desdobramentos da Operação Quimera serão divulgados assim que a perícia concluir a análise dos computadores apreendidos e o Ministério Público se pronunciar sobre possíveis denúncias formais.

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    Rafael Oliveira é criador de conteúdo digital e editor com foco em entretenimento, reality shows e notícias do mundo dos famosos. Seu trabalho é voltado para levar informações rápidas, atualizadas e relevantes sobre os principais acontecimentos da TV e das redes sociais.