Um anúncio oferecendo uma fortuna pela captura de Alika e de sua mãe, a rainha Niara, vira combustível para a crueldade de Virgínia em “A Nobreza do Amor”. Ao descobrir que a filha da costureira de Barro Preto é, na verdade, princesa herdeira do trono de Batanga, a patricinha enxerga a chance de ganhar dinheiro fácil e se livrar de vez da rival que ameaça seu status.
Determinado a arrancar cada centavo do rei Jendal, governante que colocou a recompensa em circulação, Virgínia convoca seu capanga de confiança, Sebastião. Cabe a ele reunir provas que convençam o tirano africano de que mãe e filha estão escondidas no interior do Rio Grande do Norte. O risco de sangue não abala a vilã — para ela, a vingança vale qualquer preço.
A oferta de Jendal ecoa em Barro Preto
O jornal chega amassado, mas o chamado é claro: “Pagarei somas generosas a quem me entregar Niara, a traidora do trono, e sua filha Alika”. O panfleto, que circula discretamente, acaba nas mãos de Sebastião. Ao perceber o potencial do achado, ele corre para mostrar o material à patroa. O nome de Jendal traz lembranças de violência no passado de Niara, mas, para Virgínia, representa apenas cifrões.
Entre uma taça de espumante e outra, a jovem mimada lê o texto com deleite. A recompensa suficiente para comprar mais um haras, brincar com o orgulho da rival e ainda limpar Barro Preto da presença da “princesinha”, como ironiza. “Pois logo esse tal de Jendal vai receber uma cartinha da Mais Formosa do Rio Grande do Norte contando que a princesinha e a mãe estão bem aqui”, dispara, saboreando cada palavra.
Sebastião alerta sobre o perigo
Menos inconsequente, o capanga tenta injetar ponderação na conversa. Ele lembra que Jendal, conhecido por lavar a honra no fio da espada, pode preferir vingança a gratidão. Mas Virgínia corta o assunto no ato: “Ela que pensasse nisso antes de fugir”, retruca, demonstrando total frieza diante do risco que Alika e Niara correm.
Estratégia de caça: provas irrefutáveis
Para não deixar brechas, Virgínia quer mais que informações vagas. Ordena que Sebastião viaje até Biri-Biri, cidade vizinha, em busca de um fotógrafo disposto a registrar a presença das fugitivas. A imagem deve mostrar Alika em território potiguar e comprovar a denúncia: “Vá caçar um fotógrafo! Em Biri-Biri há de ter algum”, impõe, sem aceitar negativas.
A orientação é simples: aproximar-se da casa de Niara, seguir discretamente os passos de Alika e enquadrar as duas em situação cotidiana, algo impossível de forjar. Com a foto em mãos, a vilã planeja redigir uma carta grandiloquente para Jendal, anexar a prova e exigir o depósito antecipado de parte da bolada. Não quer correr o risco de ver o rei recuar na última hora.
Pressão sobre o capanga
Enquanto arruma a mala às pressas, Sebastião pede detalhes sobre a “taxa de sucesso” que receberá. Virgínia promete pagar o serviço — além de insinuar “benefícios” extras quando todo o plano der certo. Porém, ao tentar aproveitar o momento a sós para cobrar a recompensa amorosa, ele leva um corte: só haverá noite de prazer quando o rei Jendal arrancar a princesa de Barro Preto.
Niara e Alika, alvos indefesos
Do outro lado da trama, Niara acredita ter encontrado abrigo seguro na pacata Barro Preto. Ela trabalha como costureira, sustentando discretamente a filha e mantendo a identidade real em sigilo para evitar retaliações do antigo marido. Alika, por sua vez, busca levar vida comum, ignorando que cada passo pode ser vigiado a mando de Virgínia.
A tensão cresce porque a notícia sobre a recompensa ainda não chegou aos ouvidos das duas. No pequeno ateliê, Niara costura vestidos para as moças da região, inclusive para a própria Virgínia — ironia que amplia o cinismo da vilã. Já Alika frequenta o mercado municipal e a praça da igreja, rotinas que facilitam o trabalho do fotógrafo clandestino contratado.

Imagem: Internet
Biri-Biri, ponto de partida para a armadilha
A escolha de Biri-Biri não é aleatória. A poucos quilômetros de Barro Preto, o vilarejo recebe feiras semanais, onde forasteiros passam despercebidos entre tropeiros e artesãos. Para Sebastião, isso significa liberdade de circular sem chamar atenção. Ele já tem em mente dois estúdios simples, daqueles que imprimem retratos 3×4, e pretende contratar o primeiro que aceite dinheiro vivo e discrição absoluta.
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Ganância e rivalidade em primeiro plano
O ressentimento de Virgínia contra Alika nasceu no colégio, quando a recém-chegada começou a destacar-se pelo talento com agulhas. O conflito ganhou novas cores depois que a princesa, mesmo sem saber, se aproximou de Gonçalo, ex-affair da patricinha. Agora, com um trono envolvido, a disputa ultrapassa o universo escolar e atinge níveis internacionais de perigo.
Para a vilã, cada gesto cruza dois objetivos: humilhar Alika e encher os bolsos. O fato de entregar uma mulher inocente a um tirano não lhe causa pudor. Pelo contrário, a possibilidade de desaparecer com a rival e, ao mesmo tempo, exibir uma fortuna na conta bancária soa perfeita.
Consequências imprevisíveis
Embora confiante, Virgínia ignora que mexer com monarquias estrangeiras pode abrir portas que ela não controla. Jendal, descrito pelos boatos como impiedoso, pode não entregar todo o valor combinado ou decidir silenciar quem tiver provas do esquema. Além disso, Sebastião, movido por interesses próprios, pode guardar parte da informação para chantageá-la depois.
Próximos capítulos prometem tensão máxima
Com a partida de Sebastião rumo a Biri-Biri, o cronômetro da armadilha começa a correr. Qualquer descuido na coleta das fotos pode colocar Alika em alerta e estragar o plano. Se tudo der certo para a vilã, a princesa verá o cerco se fechar, sendo forçada a enfrentar o passado ao lado de um rei disposto a tudo para recuperar o trono que diz ter sido usurpado.
Já Niara, que abdicou do poder para proteger a filha, corre contra o tempo sem nem saber. Caso a fotografia chegue aos domínios de Jendal, ele poderá enviar emissários armados ou, pior, pousar pessoalmente em solo potiguar. A população de Barro Preto, habituada à calmaria, sentiria o impacto de uma caçada real nas suas ruas de paralelepípedo.
Enquanto isso, Virgínia aguarda o telefonema que confirmará a transferência bancária. O tilintar da notificação no celular da dondoca pode significar o início de uma nova fase na rivalidade que move “A Nobreza do Amor”. Resta saber quem pagará o preço final quando vaidade, ambição e sede de vingança saem do controle.
