Protesto de estudantes de Medicina bloqueia trânsito e pressiona Uniderp por reformas e mudança em avaliação

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    Um cordão de jalecos brancos tomou a Rua Ceará na manhã desta quarta-feira (12) e transformou um dos principais corredores de Campo Grande em um mar de buzinas, filas de carros e reclamações. Estudantes de Medicina da Uniderp interromperam o tráfego para denunciar a precariedade de laboratórios, salas de aula e hospitais-escola e, sobretudo, para contestar a nova Avaliação de Progressão por Competências (APPC), que pode reter alunos com nota abaixo de 7 mesmo que o restante das disciplinas esteja em dia.

    O protesto, organizado por centros acadêmicos de diferentes semestres, expôs o aumento da tensão dentro da universidade privada, que abriga cerca de 1,6 mil futuros médicos. A mobilização resultou em longos congestionamentos na Vila Antônio Vendas e reacendeu o debate sobre a qualidade do ensino médico no estado, às vésperas da implementação das diretrizes nacionais publicadas em 2025.

    Tensão em plena hora do rush

    Trânsito paralisado e aulas suspensas

    Desde as primeiras horas da manhã, a aglomeração em frente ao portão principal da Uniderp obrigou motoristas a buscar rotas alternativas. Linhas de ônibus ficaram presas na fila, ambulâncias precisaram ser escoltadas pela Agência Municipal de Trânsito e comerciantes reclamaram da queda nas vendas. A manifestação só foi desmobilizada perto do meio-dia, quando representantes estudantis tiveram a confirmação de uma reunião de emergência com a reitoria.

    Embora pacífico, o ato utilizou faixas, cartazes e caixas de som. “Queremos estrutura para salvar vidas, não promessas vazias”, estampava a mensagem mais repetida. A cena chamou atenção de moradores e de pacientes que buscavam atendimento na região hospitalar próxima.

    Reivindicações vão além do cimento

    Laboratórios superlotados e equipamentos obsoletos

    Alunos relatam queda na qualidade de insumos para aulas práticas, microscópios quebrados e número insuficiente de manequins para simulação de procedimentos. “Somos 20 em volta de um só cadáver, disputando espaço e tempo de aprendizado”, afirmou uma aluna do quarto semestre. Segundo os organizadores, a falta de manutenção dos prédios compromete não apenas o conforto, mas a segurança sanitária das atividades.

    Nova avaliação provoca temor de retenção em massa

    O pano de fundo do protesto, porém, é a APPC — um exame semestral que, de acordo com a coordenação, serve para aferir competências clínicas e aproximar o currículo das exigências nacionais. O modelo, inspirado no Enamed, estabelece nota mínima 7 ou acerto equivalente. Quem ficar abaixo do corte pode ser impedido de ingressar no internato, etapa decisiva do curso.

    O grupo questiona a legalidade da regra para quem ingressou antes das diretrizes de 2025, que não preveem um patamar de aprovação tão alto nem a possibilidade de retenção automática. Na prática, estudantes temem repetir disciplinas já concluídas e atrasar a formatura. A incerteza levou centros acadêmicos a enviar notificação extrajudicial à Uniderp na semana passada, exigindo resposta em até dez dias úteis. Sem retorno, prometem acionar o Ministério da Educação e o Ministério Público.

    O que diz a Uniderp

    Em nota, a instituição confirma que um “plano robusto de melhorias” será iniciado ainda em agosto. A reforma inclui novos laboratórios de habilidades médicas, salas de tutoria e dois auditórios preparados para metodologias ativas. Também estão previstas adequações em bibliotecas, centros de informática e em espaços de convivência.

    Sobre a APPC, a reitoria sustenta que o instrumento segue as Diretrizes Curriculares Nacionais e “acompanha o desenvolvimento integral do estudante”, mas reconhece que mudanças repentinas geram apreensão. A universidade garante que não haverá retaliação às manifestações e mantém o cronograma de diálogo: representantes das turmas se reuniram no dia 10, devem protocolar sugestões até 17 e participam de novo encontro no próximo dia 18, quando a administração apresentará o calendário de obras.

    Próximos passos e cenário jurídico

    A comissão discente sinaliza que, caso a Uniderp mantenha as atuais regras da APPC para turmas ingressas antes de 2025, buscará tutela antecipada na Justiça para suspender o exame ou impedirá que ele produza efeitos de retenção. A articulação inclui apoio de entidades médicas regionais e de advogados especializados em direito educacional.

    Internamente, professores consultados relatam desconforto: alguns avaliam que a prova, se bem calibrada, pode elevar o padrão de aprendizagem; outros temem aumento da evasão e sobrecarga nos semestres seguintes. Enquanto isso, calouros e veteranos permanecem em estado de alerta para novas mobilizações — principalmente se a reforma prometida não sair do papel no prazo divulgado pela reitoria.

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    Rafael Oliveira é criador de conteúdo digital e editor com foco em entretenimento, reality shows e notícias do mundo dos famosos. Seu trabalho é voltado para levar informações rápidas, atualizadas e relevantes sobre os principais acontecimentos da TV e das redes sociais.