Obras perto da rede elétrica exigem distância mínima e planejamento, alerta Equatorial Maranhão

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    Todo dia pintores, pedreiros e eletricistas dividem espaço com cabos energizados, muitas vezes a poucos centímetros da cabeça. Dados de 2025 mostram que esse descuido custou a vida de 68 profissionais da construção civil em todo o país. Para reverter o cenário, a Equatorial Maranhão voltou a chamar atenção para regras simples — mas pouco seguidas — que evitam choques, quedas e incêndios em canteiros de obras.

    O alerta parte de números que a própria distribuidora classifica como “persistentes e alarmantes”. Segundo a Associação Brasileira de Distribuidoras de Energia Elétrica (Abradee), o setor da construção liderou o ranking de acidentes envolvendo a rede elétrica em 2025: foram 227 ocorrências em obras ou reformas, 30% delas fatais. Ao ampliar a lente para todos os ramos de atividade, a Associação Brasileira de Conscientização para os Perigos da Eletricidade (Abracopel) registrou 2.322 acidentes elétricos no país no mesmo ano, que resultaram em 725 mortes.

    Risco concentra-se nos canteiros de obras

    Ligação improvisada, vergalhão encostando no fio, andaime mal posicionado e ausência de Equipamento de Proteção Individual (EPI) compõem o roteiro que se repete Brasil afora. Gabriel Vieira, executivo de Segurança da Equatorial Maranhão, lembra que “um simples descuido em altura ou no manuseio de barras metálicas pode fechar um circuito elétrico e transformar o corpo humano em condutor”. O resultado são queimaduras graves, paradas cardíacas e, em muitos casos, óbito imediato.

    Por que a construção civil lidera os acidentes

    • Alta rotatividade de mão de obra e, consequentemente, menor treinamento contínuo;
    • Pressão por prazos curtos, que estimula atalhos perigosos como gambiarras elétricas;
    • Trabalho em altura constante, aumentando o risco de contato com a rede aérea;
    • Frequente uso de estruturas metálicas (andaimes, escoras, vergalhões) que conduzem eletricidade.

    Distância mínima é questão de vida

    Equatorial Maranhão recomenda uma distância de segurança de pelo menos 3 metros na vertical e 1,5 metro na horizontal entre qualquer ponto da construção — incluindo andaimes e ferramentas — e a fiação da distribuidora. Se a obra não puder respeitar esse limite, o responsável deve solicitar visita técnica a uma agência da empresa para definir soluções temporárias de afastamento ou desligamento programado.

    Cuidados indispensáveis no dia a dia

    1. Planejar antes de subir: avalie o entorno, identifique cabos próximos e afaste materiais metálicos.
    2. Evitar ferramentas longas perto dos fios: vergalhões, réguas de alumínio e extensões metálicas ampliam o raio de alcance do choque.
    3. Redobrar atenção em telhados e fachadas: a altura aproxima o trabalhador dos cabos, mesmo em residências de um pavimento.
    4. Usar EPIs apropriados: luvas isolantes, capacete sem partes metálicas expostas e calçado antiderrapante são itens básicos.
    5. Dizer não à “gatunet”: ligações clandestinas e gambiarras expõem toda a equipe e o entorno ao risco de curto-circuito.

    Planejamento é o primeiro EPI

    A prevenção começa ainda na mesa do engenheiro ou do mestre de obras. O projeto estrutural deve contemplar a posição da rede elétrica e, se necessário, prever barreiras ou deslocamentos de cabos em coordenação com a distribuidora. Organizar o canteiro, mantendo depósitos de material longe dos postes, reduz a chance de colisões com máquinas e caminhões-munck.

    Profissionais habilitados fazem a diferença

    Contratar eletricistas com registro profissional evita improvisos dentro da obra. É esse técnico que deve instalar quadros de distribuição internos, proteger circuitos com disjuntores adequados e garantir a existência de sistema de aterramento. Para o Executivo de Segurança da Equatorial, “uma rede interna bem montada impede que sobrecargas retornem para a rede pública e derrubem transformadores, ampliando o risco para a vizinhança”.

    Como agir em caso de choque elétrico

    Em emergências, a principal regra é não tocar na vítima enquanto o circuito estiver energizado. Se o acidente ocorrer dentro da obra, alguém deve desligar imediatamente a chave geral ou o disjuntor. Na sequência, é fundamental chamar o Corpo de Bombeiros (193) ou o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (192). Quando o incidente envolve cabos da rua, a orientação adicional é acionar a Central 116 da Equatorial Maranhão para que a energia seja cortada pelo centro de operações.

    Iniciativas de conscientização ganham força em agosto

    Todas essas recomendações integram o Movimento VC+ Seguro, campanha permanente da Equatorial que distribui material informativo, promove palestras em canteiros de obras e realiza inspeções educativas. Em agosto, mês batizado como Agosto Vermelho pela Abradee, as ações de rua se intensificam: faixas em pontos de grande circulação, blitz educativas em lojas de material de construção e inserções em rádios locais lembram que “energia elétrica não dá segunda chance”.

    Objetivos do movimento VC+ Seguro

    • Ampliar o acesso a informações sobre riscos elétricos;
    • Reduzir o índice de acidentes fatais em obras e residências;
    • Consolidar a cultura de planejamento e uso de EPIs na construção civil;
    • Fortalecer a parceria entre distribuidora, sindicatos e órgãos de segurança.

    Panorama e próximos passos

    Embora as estatísticas mostrem queda gradual nos acidentes fatais desde 2021, o ritmo de redução ainda é insuficiente para atingir metas internacionais de segurança no trabalho. Especialistas defendem a revisão de normas de construção municipal, exigindo alvarás condicionados a projetos elétricos aprovados por profissionais habilitados. Paralelamente, a Equatorial Maranhão diz manter a meta de visitar, até o fim de 2026, todos os municípios do estado com ações presenciais do VC+ Seguro.

    Enquanto legislações avançam e campanhas se multiplicam, a regra que salva vidas no canteiro continua simples: mantenha distância da rede elétrica, planeje cada etapa e jamais subestime a potência invisível que corre pelos cabos sobre nossas cabeças.

    Rafael Oliveira é criador de conteúdo digital e editor com foco em entretenimento, reality shows e notícias do mundo dos famosos. Seu trabalho é voltado para levar informações rápidas, atualizadas e relevantes sobre os principais acontecimentos da TV e das redes sociais.