O número de incêndios em Manaus disparou em 2026. De janeiro até 9 de agosto, o Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas (CBMAM) atendeu 1.230 ocorrências — quase o dobro do mesmo intervalo do ano passado. O avanço foi impulsionado principalmente pelas queimadas em áreas de vegetação, que cresceram 324% e colocam em xeque a estrutura de combate ao fogo na capital.
A escalada acontece em meio ao período de estiagem na região e reacende o debate sobre a falta de hidrantes e pontos de abastecimento de água. Somente nos dois primeiros fins de semana de agosto, foram mais de 220 focos de incêndio, número que pressiona a já sobrecarregada corporação.
Alta de ocorrências florestais puxa estatística
Do total de 1.230 registros deste ano, 564 ocorreram em matas e áreas verdes, enquanto 666 foram em regiões urbanas. Na comparação com 2025, quando os bombeiros haviam registrado 133 queimadas florestais e 353 incêndios urbanos até o mesmo dia 9 de agosto, o salto é nítido: 324% de aumento entre as chamas na vegetação e 89% em áreas construídas.
O comandante do CBMAM, coronel Orleilso Muniz, aponta a seca prolongada como principal fator de agravamento. O solo e a vegetação mais secos favorecem a propagação rápida do fogo e exigem resposta ágil para evitar que as chamas atinjam áreas habitadas.
Dois fins de semana somam 223 incêndios
Os dados mais recentes revelam a intensidade do problema. Entre 31 de julho e 2 de agosto, Manaus registrou 106 focos em vegetação. Já no fim de semana seguinte, de 7 a 9 de agosto, foram 117 ocorrências semelhantes. A média de 111 chamados por fim de semana pressiona equipes que precisam percorrer longas distâncias sem garantia de hidrantes operacionais.
Em vários bairros, viaturas precisam buscar água em rios ou recorrer a caminhões-pipa particulares, o que prolonga o tempo de resposta. A improvisação reforça críticas antigas sobre a insuficiência da rede de abastecimento específica para emergência.
Incêndio em loja escancara riscos na área central
A manhã de 11 de agosto trouxe novo alerta. Um curto-circuito em aparelho de ar-condicionado provocou incêndio em uma loja na rua Henrique Martins, no Centro. As chamas subiram pela fiação e atingiram um depósito no terceiro andar com papelão, plásticos e roupas, materiais altamente combustíveis.
Segundo a responsável pelo prédio, Fabiana Carla Souza, o fogo se espalhou rapidamente, mas foi contido antes de alcançar imóveis vizinhos. De acordo com o coronel Muniz, a propagação ficou limitada ao interior da loja, sem risco de alastramento para edificações próximas. O caso reforça a importância de revisão elétrica e de rotas de fuga em imóveis antigos no coração comercial da cidade.
Mais de mil ocorrências em sete meses
Com pouco mais de sete meses de 2026 transcorridos, Manaus já soma o dobro dos incêndios contabilizados no mesmo período de 2025, considerando tanto áreas urbanas quanto florestais. A tendência, segundo bombeiros, é de manutenção do ritmo elevado enquanto a estiagem persistir.

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O cenário pressiona não apenas a corporação, mas também órgãos ambientais e de defesa civil, que precisam agir de forma integrada para reduzir focos preventivamente — antes que alcancem as imediações da cidade e coloquem em risco a população.
Debate sobre hidrantes volta ao centro
O aumento das ocorrências reaquece um tema recorrente: onde estão os hidrantes públicos de Manaus? Em parte considerável da capital, equipamentos estão inoperantes ou inexistentes, obrigando bombeiros a improvisar pontos de reabastecimento. A carência eleva o tempo de combate e, em muitos casos, amplia danos patrimoniais e ambientais.
Engenheiros de segurança defendem mapeamento e recuperação da rede de hidrantes, além de parcerias com concessionárias de água para instalação de novos pontos. Sem a estrutura básica, afirmam, qualquer avanço em equipamentos ou efetivo tende a ter retorno limitado.
Consequências para saúde e meio ambiente
Além das perdas materiais, a fumaça das queimadas florestais e urbanas agrava problemas respiratórios, sobretudo entre crianças e idosos. Em anos anteriores, hospitais registraram aumento de atendimentos por doenças respiratórias durante a seca. Com os focos de 2026 superando em muito os de 2025, a preocupação se repete.
No aspecto ambiental, cada hectare incendiado representa perda de biodiversidade e liberação de carbono, contribuindo para impactos climáticos regionais. Organizações de proteção ao meio ambiente cobram medidas de prevenção, como campanhas educativas e fiscalização de áreas suscetíveis a queimadas.
Próximos passos no enfrentamento
O CBMAM planeja ampliar patrulhamentos em zonas críticas e reforçar orientações à população sobre descarte de lixo, queima de resíduos e manutenção de redes elétricas. No entanto, sem investimento na infraestrutura de hidrantes e sem ações coordenadas de limpeza de terrenos baldios, especialistas avaliam que o número de ocorrências pode continuar crescendo.
Enquanto não chega o período chuvoso, a corporação faz apelo para que moradores denunciem focos de fogo assim que surgirem. A rapidez no acionamento pode ser decisiva para evitar que o cenário de 2026 se torne ainda mais grave.
