Juiz de Fora inicia macrodrenagem do Córrego São Pedro com interdição total na Rua Feliciano Pena

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    Máquinas e operários tomaram conta, na manhã desta segunda-feira (10), da Rua Senador Feliciano Pena, no bairro Mariano Procópio, dando a largada ao maior projeto de controle de enchentes de Juiz de Fora em duas décadas. A primeira fase da macrodrenagem da Bacia do Córrego São Pedro — orçamento de R$ 22 milhões — prevê a abertura do canal entre a linha férrea e a Avenida Brasil, etapa considerada decisiva para reduzir os alagamentos históricos que castigam a zona Sudeste da cidade.

    Com a frente de trabalho instalada, a via foi bloqueada integralmente para o trânsito de veículos particulares e transporte coletivo. Apenas moradores, comerciantes e serviços de emergência podem acessar o trecho, medida que permanecerá pelos próximos 12 meses, prazo contratual para conclusão dos serviços iniciais, embora a prefeitura admita possibilidade de entrega antecipada caso as condições climáticas favoreçam o cronograma.

    Interdição muda rotas de ônibus e tráfego leve

    A Secretaria de Mobilidade Urbana orienta motoristas a evitarem a região e escolherem trajetos pela Avenida Brasil ou pelo bairro Costa Carvalho. Linhas de ônibus que normalmente utilizam a Rua Feliciano Pena passam a operar por desvios sinalizados; pontos de parada foram realocados para ruas adjacentes, e agentes de trânsito permanecem no local em tempo integral para auxiliar a população.

    No período de obra, entregas de mercadorias e coletas de resíduos sólidos terão horários específicos, previamente comunicados aos estabelecimentos comerciais. A administração municipal reforça que veículos de emergência, transporte escolar e atendimento domiciliar de saúde continuarão tendo passagem liberada mediante identificação na barreira de interdição.

    Primeira fase concentra limpeza e demolição do canal

    O contrato com a empreiteira Almeida Sapata Engenharia, assinado em março, estabelece três frentes simultâneas no trecho inicial do córrego: limpeza pesada, demolição das estruturas antigas de concreto e preparação das bases onde será assentada a nova galeria pluvial. Técnicos explicam que as paredes atuais não suportam a vazão em períodos de chuva intensa e funcionam como gargalo, provocando o transbordamento que invade residências e comércios.

    O que será executado

    • Ampliação da calha do córrego entre a linha férrea e a Avenida Brasil, dobrando a capacidade de escoamento;
    • Substituição das travessias nas ruas Mariano Procópio e Avenida Brasil por aduelas de maior porte;
    • Implantação de novo sistema de drenagem superficial na própria Rua Feliciano Pena, evitando acúmulo de água nas bocas-de-lobo;
    • Construção de reservatório de amortecimento e estação de bombeamento para eventos de chuva extrema.

    R$ 90 milhões para reescrever a história das enchentes

    A intervenção no Mariano Procópio é apenas a porta de entrada de um pacote que somará mais de R$ 90 milhões, financiados pelo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) do governo federal. Quatro bairros compõem a bacia hidrográfica contemplada: além do Mariano Procópio, recebem obras os bairros Democrata, Vale do Ipê e Cidade Alta, todos afetados por inundações recorrentes nas últimas décadas.

    Engenheiros da Secretaria de Obras estimam que, finalizadas as três fases, a área alagada durante tempestades deverá cair 70 % e o tempo de escoamento das águas reduzirá de sete para duas horas. O estudo de impacto hidrológico aponta ainda aumento de 40 % no índice de permeabilidade do solo urbano, graças às novas galerias e ao reservatório subterrâneo projetado para receber até 35 mil metros cúbicos de água.

    Próximas etapas já contratadas

    A segunda fase, sob responsabilidade do Consórcio Córrego São Pedro, inclui a ampliação da canalização em dois pontos estratégicos: nas proximidades do trevo do Condomínio Granville e no segmento situado entre a Cachoeira do Vale do Ipê e a malha ferroviária. Todas as travessias de veículos nos dois quilômetros de extensão serão trocadas por artefatos pré-moldados, reduzindo tempo de obra e impactos ao tráfego.

    Já a terceira etapa, que contemplaria a requalificação do leito a montante do Vale do Ipê, teve a licitação cancelada após questionamentos técnicos. A prefeitura promete republicar o edital ainda neste semestre, alegando necessidade de ajustes no projeto executivo para ampliar a capacidade de captação de águas pluviais.

    Pacote federal destina R$ 373 milhões a drenagem na cidade

    Além do Córrego São Pedro, Juiz de Fora recebeu aval do PAC para mais quatro obras de grande porte em cursos d’água urbanos. Os projetos, que juntos somam R$ 373 milhões, atacam pontos críticos nos bairros Humaitá (córrego do Industrial), Santa Luzia, Ipiranga e na Vila dos Sonhos, onde passa o Ribeirão das Rosas.

    Os editais dessas intervenções encontram-se em diferentes estágios: o bairro Industrial, com orçamento de R$ 95 milhões, já passa por vistorias em imóveis que precisarão de desapropriação parcial; Santa Luzia e Ipiranga aguardam a emissão das licenças ambientais; enquanto o Ribeirão das Rosas depende de atualização cadastral de famílias instaladas às margens.

    Calendário de campo para 2025

    1. 1º trimestre: início das frentes simultâneas em Humaitá e Santa Luzia;
    2. 2º trimestre: lançamento das licitações para Ipiranga e Ribeirão das Rosas;
    3. 4º trimestre: previsão de conclusão da Fase 1 do Córrego São Pedro.

    Como acompanhar o avanço das obras

    A prefeitura disponibilizou um canal de atendimento telefônico e um painel eletrônico atualizado semanalmente com fotos, vídeos e relatórios de execução. Moradores podem ainda acompanhar reuniões presenciais mensais no Centro Comunitário do Mariano Procópio, onde representantes da empreiteira, engenheiros municipais e Defesa Civil prestam contas do progresso e recebem demandas específicas, especialmente relacionadas a ruído, poeira e acessibilidade.

    Efeitos esperados para a próxima temporada de chuvas

    Embora a conclusão completa da macrodrenagem esteja prevista para meados de 2026, a administração municipal assegura que parte dos benefícios será percebida já no próximo período chuvoso. A instalação do reservatório e das bombas de emergência — componentes incluídos na Fase 1 — promete reduzir o volume de água que atualmente extravasa para a Avenida Brasil e para as ruas internas do Mariano Procópio.

    Para o setor de seguros, a expectativa é de queda no valor das apólices residenciais e comerciais na área afetada, uma vez que o mapa de risco de inundação, utilizado pelas empresas na precificação, será revisado à medida que as obras avancem. Analistas de mercado local projetam, inclusive, valorização imobiliária na ordem de 12 % em até três anos após a entrega de toda a estrutura.

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    Rafael Oliveira é criador de conteúdo digital e editor com foco em entretenimento, reality shows e notícias do mundo dos famosos. Seu trabalho é voltado para levar informações rápidas, atualizadas e relevantes sobre os principais acontecimentos da TV e das redes sociais.