A colisão frontal entre uma carreta-tanque carregada de querosene e um caminhão que transportava blocos de granito provocou um incêndio de grandes proporções na manhã de sábado (8) na BR-116, trecho da Serra do Honório, entre Teófilo Otoni e Catuji, no Vale do Mucuri, em Minas Gerais. O motorista da carreta-tanque, o baiano Joílson Jesus Araújo, de 51 anos, foi localizado sem vida entre os destroços, após horas de buscas.
As chamas consumiram os dois veículos e avançaram pela vegetação às margens da rodovia, exigindo ação prolongada do Corpo de Bombeiros. A pista permaneceu totalmente interditada enquanto equipes combatiam o fogo e faziam o resfriamento do tanque de combustível, operação concluída por volta das 12h50.
Identificação da vítima e trabalhos de resgate
Nascido em Mairi, no interior da Bahia, e residente em Camaçari, Região Metropolitana de Salvador, Joílson dirigia a carreta-tanque quando ocorreu a colisão. Nas primeiras horas após o acidente, havia incerteza sobre o paradeiro do condutor; chegou-se a cogitar que ele pudesse ter sido removido por uma ambulância que passara pelo local antes da chegada das equipes especializadas. A confirmação do óbito veio no fim da manhã, quando bombeiros encontraram o corpo carbonizado junto à cabine.
O outro motorista, responsável pela carga de granito, foi socorrido consciente pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu). Com queixas de dores em várias partes do corpo, ele foi encaminhado a um hospital em Teófilo Otoni, onde passou por avaliação médica. Seu estado de saúde não foi detalhado pelas autoridades rodoviárias.
Incêndio controlado e riscos adicionais
Além de debelar as chamas que consumiam as carretas e a vegetação, os bombeiros precisaram concentrar esforços no resfriamento do tanque de querosene, para evitar explosões ou reignição do fogo. A operação exigiu grande volume de água e espuma química, dada a natureza altamente inflamável do produto transportado.
Com o incêndio estabilizado, peritos iniciaram a análise dos destroços para levantar elementos que possam explicar a dinâmica do choque frontal. A Polícia Rodoviária Federal (PRF) recolheu dados de tacógrafos, avaliou marcas de frenagem e entrevistou testemunhas que trafegavam pela rodovia pouco antes do impacto.
Transtornos no tráfego
Logo após a colisão, uma das enormes pedras de granito projetou-se sobre a pista, bloqueando totalmente o fluxo nos dois sentidos da BR-116. O congestionamento se estendeu por quilômetros, afetando veículos de carga e passageiros que utilizam o corredor para ligar o Nordeste ao Sudeste. Somente no início da tarde foi possível adotar o sistema “pare e siga”, permitindo passagem alternada até que máquinas pesadas removessem o bloco de granito. A liberação total ocorreu no meio da tarde.
Reflexos econômicos e logísticos
O trecho da Serra do Honório é estratégico para o escoamento de mercadorias; por ele circulam diariamente caminhões com produtos agrícolas, combustíveis e material de construção. Segundo agentes da PRF, atrasos provocados pelo bloqueio repercutiram nos prazos de entrega de cargas perecíveis e combustíveis destinados ao norte de Minas e ao sul da Bahia.

Imagem: Internet
Investigação preliminar
A PRF abriu procedimento para determinar as causas do acidente. Entre os pontos que serão examinados estão possíveis problemas mecânicos, excesso de velocidade, fadiga ao volante e as condições de visibilidade no momento da batida. Até a tarde de domingo (9), não havia registro de chuva na região, mas não se descartava a hipótese de neblina matinal na serra.
Os laudos periciais, incluindo resultado de necropsia e exames toxicológicos, devem ser concluídos nas próximas semanas. Somente após a análise técnica será possível apontar se houve falha humana ou fator externo decisivo para a colisão.
Repercussão entre familiares e colegas
Amigos de Joílson Araújo, que atuava há mais de duas décadas no transporte de combustíveis, relataram choque com a notícia. O corpo será trasladado para Mairi, onde a família pretende realizar velório e sepultamento. Transportadoras da Bahia e de Minas Gerais publicaram notas de pesar, destacando a experiência do profissional.
Em Camaçari, colegas de trabalho organizaram uma campanha de arrecadação para ajudar nos custos do funeral e prestar solidariedade à esposa e aos dois filhos do motorista. “Era um pai dedicado e muito prudente na estrada”, disse um dos companheiros de profissão, que preferiu não se identificar.
Próximos passos
Enquanto o inquérito segue em andamento, a PRF reforçou a sinalização no trecho da Serra do Honório e recomendou que motoristas redobrem a atenção, sobretudo em curvas fechadas e declives acentuados. A corporação informou que divulgará orientações adicionais tão logo os laudos indiquem as circunstâncias exatas da tragédia.
A Prefeitura de Catuji colocou à disposição das autoridades o serviço de assistência social para acompanhar familiares das vítimas e oferecer apoio psicológico, reforçando a importância de medidas de amparo em acidentes graves envolvendo trabalhadores da estrada.
