Ataque a tiros mata dois homens que dormiam na rua e espalha medo em bairro de Vila Velha

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    Dois homens foram executados a tiros enquanto dormiam em sofás improvisados no bairro Jaburuna, em Vila Velha, na manhã de domingo (9). O ataque, realizado por ocupantes de um carro ainda não identificado, ocorreu em pontos diferentes da mesma comunidade num intervalo de poucos minutos e reforçou o clima de medo entre moradores que relatam tiros frequentes há pelo menos três noites.

    As vítimas, reconhecidas pela família como Wilian Farias da Vitória, 35 anos, e Elessandro de Souza Estevão, 49, eram dependentes químicos e haviam passado a viver nas ruas recentemente. Nenhum suspeito foi preso até o momento, e a Polícia Civil do Espírito Santo investiga se as mortes fazem parte de uma ofensiva contra usuários de drogas na região.

    Execução em plena manhã assusta moradores

    Vítimas dormiam em sofás improvisados

    O primeiro alvo dos atiradores, Wilian Farias da Vitória — conhecido pelo apelido “Presuntinho” — descansava em um sofá colocado na rua Dom Pedro II, por volta das 6h. Testemunhas contaram que o automóvel se aproximou lentamente, os disparos começaram e, mesmo ferido, Wilian ainda tentou correr ladeira abaixo. Ele caiu a poucos metros dali, sem vida.

    Minutos depois, o mesmo veículo subiu a rua Jabuticabeira, a cerca de 500 metros do primeiro ponto. No caminho, os ocupantes abriram fogo contra Elessandro de Souza Estevão, que também dormia em um sofá. O homem não teve chance de reagir. Moradores afirmam que os tiros ecoaram pela comunidade em sequência, indicando que o ataque foi premeditado e direcionado.

    Família relata vício e situação de rua

    Parentes das vítimas afirmam que nem Wilian nem Elessandro estavam ligados ao tráfico de drogas — ambos, no entanto, lutavam contra a dependência química. O uso abusivo de entorpecentes provocou o rompimento de vínculos familiares e, em poucas semanas, os dois passaram a pernoitar nas calçadas do Jaburuna.

    “Ele era da família, tinha carinho por todos nós. A gente tentava ajudar, mas não conseguiu tirar ele do vício. É duro receber uma notícia dessas”, lamentou uma sobrinha de Wilian, em prantos. Do outro lado da comunidade, a irmã de Elessandro repetia o desabafo: “Cuidamos muito dele, mas chegou um ponto em que não tínhamos mais controle. Agora entregamos nas mãos de Deus”.

    Comunidade teme nova onda de ataques

    Moradores contam que, nas madrugadas anteriores ao duplo homicídio, ouviram rajadas de arma de fogo em diferentes travessas do Jaburuna. A sensação é de que alguém estaria “fazendo limpa” entre pessoas em situação de rua e usuários de drogas que circulam pelo bairro. “São três noites de barulho de tiro. Ninguém dorme direito. A gente tranca a porta e reza para não ser a próxima vítima”, relatou um comerciante, que preferiu não se identificar.

    O clima de pânico provocou esvaziamento das ruas logo após o crime. Pequenos bares e mercadinhos permaneceram fechados durante a manhã de domingo, e cultos em igrejas locais foram cancelados. Moradores formaram grupos de mensagens para trocar informações sobre possíveis deslocamentos dos atiradores e avisar quando novos estampidos fossem ouvidos.

    Investigação segue sem presos

    Corpos passaram por perícia no IML

    Equipes da Polícia Militar isolaram os dois locais de crime e recolheram cápsulas de pistola, encaminhadas à perícia balística. Os corpos foram levados ao Instituto Médico Legal (IML) de Vitória, onde exames devem indicar a quantidade e o calibre exato dos disparos.

    Até a noite de domingo, a Polícia Civil não divulgou detalhes sobre linhas de investigação ou possíveis suspeitos. Imagens de câmeras residenciais estão sendo recolhidas para tentar identificar a placa e o trajeto do carro utilizado no ataque. A Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) assumiu o caso.

    Moradores cobram patrulhamento constante

    Representantes da associação de moradores do Jaburuna reivindicaram reforço de patrulhamento e iluminação pública em trechos considerados críticos. O grupo pretende levar abaixo-assinado à prefeitura e ao comando da PM pedindo base móvel no bairro até que a situação se normalize.

    “Sabemos que há consumo de drogas, mas isso não justifica execuções em série. Estamos com medo de sair para o trabalho de madrugada”, diz a presidente da associação. Segundo ela, a falta de rondas noturnas facilita a ação de criminosos armados.

    Duplo homicídio amplia lista de mortes violentas na Grande Vitória

    Embora a Secretaria de Segurança Pública ainda não tenha consolidado os dados de agosto, o duplo homicídio já pressiona o índice de mortes violentas na Grande Vitória, que vinha registrando redução gradual no primeiro semestre. O episódio reacende o debate sobre políticas de combate ao tráfico, tratamento de dependentes químicos e proteção de pessoas em situação de rua.

    Para especialistas ouvidos pela reportagem, moradores de rua e usuários de drogas costumam ser alvos fáceis de grupos de extermínio, sobretudo em bairros periféricos com pouca presença do Estado. A investigação agora busca esclarecer se o crime foi motivado por vingança, disputa territorial ou tentativa de “limpeza social”.

    O que se sabe até agora

    • Wilian Farias da Vitória, 35, e Elessandro de Souza Estevão, 49, foram mortos a tiros na manhã de domingo (9) em pontos distintos do Jaburuna.
    • Ambos dormiam em sofás na via pública; testemunhas relatam que atiradores estavam em um carro.
    • Familiares confirmam que as vítimas eram dependentes químicos e haviam ido para a rua recentemente.
    • Moradores ouvem disparos na região há pelo menos três dias e temem ataques direcionados a usuários de drogas.
    • Corpos foram encaminhados ao IML de Vitória; até agora não há presos.

    Denúncias anônimas podem ajudar

    A Polícia Civil reforça que qualquer informação sobre o veículo ou os autores dos disparos pode ser repassada de forma anônima para o Disque-Denúncia 181. O sigilo é garantido.

    Enquanto as investigações avançam, famílias de Wilian e Elessandro se reúnem para decidir data e local do sepultamento, ainda pendentes de liberação dos laudos do IML. No Jaburuna, a rotina segue marcada por sirenes, ruas vazias e a esperança de que a violência não faça novas vítimas.

    Rafael Oliveira é criador de conteúdo digital e editor com foco em entretenimento, reality shows e notícias do mundo dos famosos. Seu trabalho é voltado para levar informações rápidas, atualizadas e relevantes sobre os principais acontecimentos da TV e das redes sociais.