Os registros de influenza A e B deram um salto inesperado em Cuiabá nos primeiros sete meses de 2026. O novo boletim da Vigilância Epidemiológica municipal aponta 1.858 casos confirmados entre moradores da capital, 74,95% a mais do que no mesmo intervalo de 2025, quando foram contabilizados 1.062. A explosão de infecções atinge sobretudo crianças de zero a seis anos, que somam quase 1.000 notificações, e acendeu o alerta da Secretaria Municipal de Saúde para a baixa adesão à vacina.
Enquanto a gripe avança, a Covid-19 segue em sentido contrário: as ocorrências caíram de 1.043 para 121 no comparativo entre janeiro e julho, retração de 88,39%. O contraste reforça a preocupação das autoridades sanitárias com a circulação de múltiplos vírus respiratórios em períodos diferentes e evidencia a necessidade de manter a imunização em dia.
O que mostra o novo boletim epidemiológico
O levantamento considera as semanas epidemiológicas 1 a 29, equivalentes ao período de 4 de janeiro a 25 de julho deste ano. No total, Cuiabá registrou 2.386 notificações de influenza — 1.858 em residentes e 528 referentes a pessoas que buscaram atendimento na capital, mas vivem em outros municípios. Segundo a Secretaria Municipal de Saúde (SMS), a alta pode ser explicada por três fatores combinados:
- Circulação mais intensa dos vírus influenza A e B no início do ano;
- Ampliação da oferta de testes na rede pública e privada em 2026;
- Cobertura vacinal aquém do recomendado pelo Ministério da Saúde.
O próprio boletim chama atenção para a origem dos dados: a maioria das notificações veio de laboratórios particulares. Por isso, os números podem não refletir integralmente o cenário entre usuários que dependem exclusivamente do Sistema Único de Saúde (SUS), mas já servem de termômetro para o avanço da gripe na capital.
Perfis mais afetados
Entre os grupos etários analisados, as crianças de até seis anos responderam por 966 ocorrências — mais da metade de todos os registros entre moradores. Na sequência aparecem:
- Pessoas de 15 a 59 anos — 673 casos;
- Crianças e adolescentes de 7 a 14 anos — 572 casos;
- Idosos com 60 anos ou mais — 175 casos.
Especialistas alertam que as faixas etárias extremas — menores de cinco anos e maiores de 60 — tendem a desenvolver quadros mais graves. A vacinação anual é recomendada inclusive para reduzir hospitalizações e óbitos, além de aliviar a pressão sobre os serviços de saúde.
Onde se vacinar na capital
A vacina contra influenza está disponível gratuitamente nas Unidades de Saúde da Família (USFs) de Cuiabá. Ao todo, mais de 70 postos aplicam o imunizante de segunda a sexta-feira, em horário comercial. A relação inclui USFs localizadas em praticamente todas as regiões, como Dr. Fábio, Planalto, Grande Terceiro, Areão, Pico do Amor, Campo Velho, Pedregal 1 e 2, Jardim Imperial, Ana Poupina, Terra Nova, Altos da Serra, Eldorado, Baú/Lixeira, Bela Vista/Carumbé e Leblon, entre outras.
Para se vacinar, basta apresentar documento oficial com foto ou carteira de vacinação. Gestantes, puérperas, idosos, crianças pequenas e portadores de doenças crônicas têm prioridade. A SMS reforça que não há necessidade de intervalo entre os imunizantes contra Covid-19 e influenza.

Imagem: Internet
Unidades de Saúde da Família
Confira alguns dos locais com aplicação do imunizante:
- USF Dr. Fábio – Rua Sapezal;
- USF Planalto – Rua Neblina;
- USF Grande Terceiro – Av. Rio Pirain, 780;
- USF Areão – Av. Des. Antônio Quirino de Araújo;
- USF Pico do Amor – Rua Capitão Ipora;
- USF Campo Velho – Av. Presidente Médici, 515;
- USF Pedregal 1 e 2 – Rua Taiamã;
- USF Jardim Imperial – Rua Goiaba.
A lista completa pode ser consultada diretamente nas redes oficiais da Prefeitura ou no aplicativo oficial Saúde Digital MT.
Covid-19 segue em queda acentuada
Se a influenza pressiona a rede, a Covid-19 trouxe alívio. Entre as semanas 1 e 29, somente 121 infecções pelo coronavírus foram notificadas, contra 1.043 no mesmo intervalo de 2025. O cenário, porém, não significa que a pandemia acabou, adverte a Secretaria de Estado de Saúde (SES). A vacinação continua disponível em pontos específicos e o uso de máscara é recomendado para imunossuprimidos ou em locais com aglomeração.
Como reduzir o risco de infecções respiratórias
A SES e a SMS divulgaram uma série de orientações que valem tanto para influenza quanto para outros vírus respiratórios:
- Lavar as mãos com água e sabão por, no mínimo, 15 segundos sempre que chegar em casa, antes das refeições e após tossir ou espirrar.
- Usar álcool 70% quando não houver pia disponível.
- Evitar tocar olhos, nariz e boca depois de encostar em superfícies compartilhadas.
- Higienizar regularmente brinquedos, celulares e objetos de uso coletivo.
- Manter ambientes arejados e evitar aglomerações em locais fechados, sobretudo nos períodos de maior circulação viral.
- Restringir o contato de idosos, gestantes e pessoas com doenças crônicas com indivíduos gripados; nesses casos, o uso de máscara é aconselhado.
Autoridades ressaltam que a vacinação anual contra a influenza é a forma mais eficaz de prevenir complicações, internações e óbitos. Embora a cidade tenha ampliado a oferta de testes, o objetivo agora é elevar a cobertura vacinal para reduzir o volume de novos casos nos próximos meses.
