Mãe e filho faturam R$ 40 mil por mês com restaurante saudável no Campo Limpo

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    Uma pequena barraquinha de saladas montada na porta de casa virou, em menos de uma década, um ponto gastronômico capaz de movimentar R$ 40 mil por mês no Campo Limpo, zona sul da capital paulista. Sob o comando da cozinheira Nilceia Vinícius, a Tia Nice, e do filho Thiago Vinícius, o restaurante Organicamente Rango cresceu mantendo a proposta original: servir comida fresca, sem temperos artificiais e a preço que cabe no bolso de quem mora na periferia.

    O modelo de negócio, que começou com duas mesas e hoje atende até 50 pessoas entre salão, delivery e encomendas, tornou-se referência de alimentação saudável em comunidades de São Paulo, atraiu chefs renomados e passou a gerar trabalho para agricultores e fornecedores do entorno.

    Da horta caseira à cozinha profissional

    Tia Nice sempre cozinhou com ervas que ela mesma cultiva. Quando o filho percebeu o potencial do tempero materno, decidiu transformá-lo em renda e impacto social. Foi assim que, em 2015, os dois instalaram uma barraca simples na calçada. O cardápio oferecia saladas coloridas e pratos “fitness” preparados com legumes orgânicos, arroz integral e proteínas vegetais.

    Com o aumento da procura — motivado principalmente pelo boca a boca entre vizinhos e frequentadores de academias do bairro — a família investiu R$ 80 mil na montagem de uma cozinha profissional, compra de equipamentos e adaptação de um imóvel vizinho. O local ganhou piso novo, coifa, mesas coletivas e uma pequena vitrine de bolos integrais.

    Ticket médio de R$ 19,90

    • Capacidade: 50 lugares no salão.
    • Atendimento: presencial, entregas e eventos.
    • Faturamento: R$ 40 mil mensais.
    • Investimento inicial: R$ 80 mil.
    • Ticket médio: R$ 19,90 por refeição.

    Feijoada vegana é carro-chefe

    Entre as atrações mais pedidas está a feijoada vegetariana servida aos sábados. O prato leva feijão preto cozido lentamente com legumes, tofu defumado e especiarias frescas. Só esse item rende cerca de 150 porções por fim de semana, respondendo por 30 % do faturamento semanal.

    Todos os ingredientes chegam de pequenos sítios da região de Parelheiros e Embu-Guaçu, reduzindo o tempo entre colheita e consumo e, segundo a cozinheira, garantindo “sabor de comida de mãe”. Para os fregueses habituais, o segredo não são apenas os insumos orgânicos, mas a ausência total de temperos industrializados — nada de caldos prontos ou realçadores de sabor.

    Clientes ilustres e visibilidade nacional

    O boca a boca ultrapassou o Campo Limpo. Chefs como Rodrigo Oliveira, Bela Gil e Alex Atala visitaram o espaço, provaram o cardápio e divulgaram a experiência em redes sociais e programas de TV. A exposição atraiu grupos de outras regiões da cidade, estudantes de gastronomia e até turistas interessados em culinária periférica.

    Apesar dos elogios, Thiago faz questão de manter o preço popular. “Nosso propósito é democratizar a alimentação saudável. Se a comunidade onde nascemos não puder pagar, o projeto perde o sentido”, afirma o empreendedor.

    Impacto econômico na vizinhança

    Além de gerar 12 empregos diretos, entre cozinheiros, auxiliares e entregadores, o Organicamente Rango compra hortaliças, ovos e grãos de oito produtores familiares. Em datas comemorativas, a equipe produz marmitas solidárias distribuídas em mutirões organizados por coletivos locais.

    Segundo Thiago, a iniciativa ajuda a redesenhar a imagem da favela. “Quando alguém pega um ônibus do centro até aqui para almoçar, percebe que a quebrada não é sinônimo de violência, e sim de criatividade e afeto”, diz.

    Desafios de empreender na quebrada

    A distância de centros de distribuição e a burocracia para obter crédito são entraves frequentes. O empreendedor relata que, no início, precisou recorrer a empréstimos pessoais com juros altos por não conseguir linhas específicas para gastronomia. A logística também pesa: fornecedores muitas vezes se recusam a entregar insumos na região por questões de segurança ou custo operacional.

    Para driblar esses obstáculos, a dupla formou rede com outros negócios da periferia. Hoje, três padarias vizinhas compartilham o mesmo caminhão de hortifrúti, reduzindo frete. A horta do restaurante fornece temperos para um vizinho que faz molhos artesanais, enquanto o excedente de resíduos orgânicos vira adubo em um projeto comunitário de compostagem.

    Planos de expansão sem perder a essência

    A curto prazo, a família pretende abrir uma cozinha satélite dedicada apenas a eventos e encomendas corporativas, liberando o restaurante principal para o público diário. Entre as ideias em estudo estão o desenvolvimento de cursos de alimentação saudável voltados a jovens da comunidade e a venda de conservas assinadas por Tia Nice em empórios de produtos naturais.

    Apesar das propostas de franquia recebidas após aparições na mídia, Thiago diz que prefere crescer devagar, mantendo controle sobre qualidade e princípios. “Queremos ser inspiração para outras quebradas antes de buscar bairros nobres. Nosso crescimento precisa continuar circulando renda dentro da periferia”, reforça.

    Serviço

    Organicamente Rango

    Rua Batista Crespo, 105 – Vila Pirajussara, São Paulo (SP)

    Atendimento de terça a domingo, das 11h às 16h.

    Pedidos pelo WhatsApp: (11) 94885-6108 ou aplicativos parceiros.

    Rafael Oliveira é criador de conteúdo digital e editor com foco em entretenimento, reality shows e notícias do mundo dos famosos. Seu trabalho é voltado para levar informações rápidas, atualizadas e relevantes sobre os principais acontecimentos da TV e das redes sociais.