Tebet descarta voltar ao ministério em eventual segundo mandato de Lula e movimenta bastidores da chapa governista em SP

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    Ao chegar à convenção estadual do PSB, na Assembleia Legislativa de São Paulo, Simone Tebet surpreendeu aliados: “Não tenho nenhum interesse em voltar a ser ministra caso o presidente Lula seja reeleito”. A declaração, feita na noite de sexta-feira (31), ecoou entre os partidos da base governista justamente quando PT, PDT, PV e PSOL negociam as duas vagas de suplente na chapa que tenta conduzir Tebet ao Senado por São Paulo.

    A senadora licenciada, que deixou o Ministério do Planejamento e Orçamento em abril para disputar o pleito, reforçou que pretende dedicar oito anos completos ao mandato parlamentar, caso vença. O anúncio desafoga o tabuleiro ministerial de um eventual segundo governo Lula, mas acirra a corrida interna pela suplência – posto estratégico porque garante cadeira automática no Senado se a titular assumir outra função ou se licenciar.

    Declaração afasta especulações sobre volta ao Planalto

    Desde que deixou o Planalto, Tebet viu seu nome permanecer na lista de cotados para ocupar novamente um ministério num possível novo governo. A recusa pública sinaliza intenção de afastar ruídos sobre sua permanência no Legislativo, área onde construiu carreira antes de liderar a equipe econômica de Lula. A ex-candidata à Presidência em 2022 ganhou protagonismo nacional ao apoiar o petista no segundo turno e, em troca, assumiu a pasta do Planejamento, tornando-se figura de peso na ala de centro da Esplanada.

    Ao declarar que “já cumpri essa missão”, Tebet endereça dois recados: primeiro, ao eleitorado paulista, que historicamente cobra compromisso integral do senador; segundo, à cúpula do governo, que terá uma vaga a menos para contemplar o PSB na reforma ministerial pós-eleição. A fala também serve para blindar a candidata de críticas de opositores, que enxergavam na disputa ao Senado um trampolim para breve retorno ao Executivo.

    Disputa por suplências aquece base governista em SP

    Com quatro partidos interessados nas duas cadeiras de suplente, a convenção do PSB transformou-se em palco de intensa barganha. Nos bastidores, dirigentes admitem que a primeira vaga deve ficar com o PT e a segunda com o PDT, acordo que agrada à Executiva Nacional pessebista e foi confirmado por Tebet: “Deleguei a decisão ao partido, e hoje o desenho é esse”.

    Partidos colocam nomes sobre a mesa

    • Antonio Jorge, presidente estadual do PDT, desponta como favorito à segunda suplência.
    • Marcelo Barbieri (PDT), ex-prefeito de Araraquara, corre por fora e tem apoio de lideranças regionais.
    • Djalma Nery (PSOL), vereador de São Carlos, surge como opção para representar a federação PSOL-Rede.
    • Roberto Tripoli (PV), vereador da capital, é lembrado pelo histórico ambiental e proximidade com Marina Silva.

    Apesar do desenho inicial, a escolha só será oficializada na ata registrada no Tribunal Superior Eleitoral. A indefinição mantém a tensão entre legendas, pois a suplência pode garantir protagonismo nacional aos partidos menores caso Tebet assuma, por exemplo, a presidência do Senado ou outra função que exija licenciamento temporário.

    Trajetória: de ministra a candidata ao Senado

    Formada em Direito e professora universitária, Simone Tebet construiu carreira no MDB antes de migrar para o PSB em 2025. Foi prefeita de Três Lagoas, deputada estadual, vice-governadora de Mato Grosso do Sul e senadora. Em 2022, disputou a Presidência pela federação MDB-Cidadania-PSDB, somou pouco mais de 4% dos votos, mas tornou-se peça central no segundo turno ao declarar apoio a Lula contra Jair Bolsonaro.

    Convidada para o Planejamento, comandou a execução orçamentária, a elaboração do novo arcabouço fiscal e a atualização do Plano Plurianual. Em abril de 2026, afastou-se para concorrer ao Senado por São Paulo, estado que não representa originalmente, mas onde fixou residência política ao lado do governador Fernando Haddad, também candidato à reeleição. A mesma coligação reúne Márcio França (PSB) como vice de Haddad e Marina Silva (Rede) para a segunda vaga ao Senado.

    Impacto na engenharia eleitoral de 2026

    A promessa de não voltar ao ministério altera cálculos da coalizão lulista. Sem Tebet como possível ministra, outras siglas da base passam a pleitear espaços na Esplanada para equilibrar o apoio parlamentar de 2027 em diante. O PSB, por sua vez, concentra fichas na eleição de sua bancada federal e no fortalecimento de quadros estaduais, apostando que a visibilidade de Tebet no Senado será suficiente para manter influência em Brasília.

    Analistas políticos veem na decisão um gesto de fidelidade ao Senado, casa que deve ganhar centralidade em 2027 por causa de reformas constitucionais previstas, como a revisão do pacto federativo e mudanças no sistema tributário. Permanecer no Legislativo pode projetar Tebet como potencial presidente do Senado ou líder de bloco, funções com poder de barganha até superior ao de um ministério.

    Avaliação entre aliados

    Lideranças do PT comemoraram o espaço aberto para acomodar outras forças no primeiro escalão, mas cobram garantia de que a candidatura de Tebet não sofrerá contestação judicial por mudança de domicílio eleitoral. No PSB, a cúpula celebra o gesto como demonstração de “compromisso com a função legislativa” e reforço à narrativa de “senadora da governabilidade”.

    Nos movimentos de centro-direita, a fala de Tebet é interpretada como tentativa de afastar o rótulo de militante petista, preservando diálogo com eleitores moderados que rejeitam o governo, mas veem na ex-ministra um nome sensato para representar São Paulo no Congresso.

    Próximos passos da campanha

    A decisão sobre as suplências deve ser oficializada até meados de agosto, prazo final para registro de candidaturas. Após isso, Tebet planeja intensificar agendas conjuntas com Fernando Haddad no interior paulista e participação em debates televisivos focados em temas orçamentários, área em que se especializou. A campanha também pretende explorar a credibilidade adquirida durante a passagem pelo Planejamento, destacando avanços como o controle de gastos e a retomada de obras públicas.

    Enquanto isso, a equipe de Lula acompanha de perto a movimentação. Ainda que Tebet tenha fechado a porta do ministério, o Palácio do Planalto segue contando com sua futura atuação no Senado para articular pautas econômicas. Se eleita, a senadora licenciada terá peso decisivo na Comissão de Assuntos Econômicos, colegiado que costuma relatar medidas provisórias e projetos de grande impacto fiscal.

    Quem ganha e quem perde

    Com Tebet fora do xadrez ministerial, o PSB perde um posto no Executivo, mas ganha um nome forte no Senado. PDT, PV e PSOL ainda brigam por uma suplência que pode valer mandato de até oito anos, caso a titular se afaste. O PT, por sua vez, tenta usar a primeira vaga como moeda de troca para atrair aliados em disputas locais.

    Do lado do eleitor, a decisão oferece clareza sobre o compromisso de permanência no cargo, tema sensível em São Paulo após sucessivas desistências de senadores eleitos para assumir cargos no Executivo. Tebet aposta que a mensagem de “oito anos de mandato completo” lhe trará vantagem frente a adversários que mantêm portas abertas para composições futuras.

    Agenda até o pleito

    1. Definição e registro das suplências até o encerramento do prazo legal.
    2. Lançamento oficial do comitê conjunto com Haddad na capital.
    3. Roteiro de caravanas pelo interior paulista, com foco em saúde e educação.
    4. Participação em debates regionais e nacionais sobre reforma fiscal.
    5. Mobilização digital voltada a jovens e mulheres, eleitorados onde Tebet teve melhor desempenho em 2022.

    Restam pouco mais de dois meses até as urnas. O recado de Simone Tebet reorganiza expectativas na Esplanada, mas, principalmente, redefine o jogo na sucessão paulista ao garantir que, se eleita, ficará em Brasília não como ministra, e sim como voz permanente de São Paulo no Senado.

    Rafael Oliveira é criador de conteúdo digital e editor com foco em entretenimento, reality shows e notícias do mundo dos famosos. Seu trabalho é voltado para levar informações rápidas, atualizadas e relevantes sobre os principais acontecimentos da TV e das redes sociais.