De 1º a 9 de agosto, Olímpia, no noroeste paulista, volta a transformar seus 50 mil habitantes em anfitriões de uma das maiores festas populares do país. A 62ª edição do Festival do Folclore (Fefol) reúne mais de 70 grupos, 2,8 mil artistas e 130 apresentações noturnas, todas gratuitas, além de dezenas de intervenções pelas ruas e escolas. O pontapé acontece neste sábado (1º), com cerimônia oficial e show de Neguinho da Beija-Flor.
Reconhecida por lei federal desde 2017 como Capital Nacional do Folclore, a cidade reaviva tradições que atravessam gerações e fronteiras ao receber representantes de 21 estados. Em 2026, o homenageado é o Rio de Janeiro, que leva ao palco dez grupos e o tema “Aquele Abraço”, exaltando o caráter acolhedor tanto dos fluminenses quanto do próprio festival.
Nove dias de celebração plural
Jongo, maracatu, folia de reis, quadrilhas juninas, afoxé, boi-bumbá, congo, caboclinho, catira e fandango dividem o mesmo espaço na arena do Recinto de Exposições e Praça de Atividades Folclóricas Professor José Sant’anna. As apresentações principais ocorrem à noite, mas cerca de 50 incursões acontecem durante o dia em escolas, praças, empresas e ruas centrais, espalhando música e dança por toda a cidade.
Da pequena mostra escolar ao status nacional
O embrião do Fefol surgiu em 1965, quando o professor José Sant’anna levou pesquisas sobre cultura popular da sala de aula para as calçadas de Olímpia. O sucesso da experiência impulsionou, ano a ano, a chegada de delegações de outros estados até que, na década de 1980, o evento já era referência no calendário folclórico brasileiro. A chancela oficial de Capital Nacional do Folclore veio em 2017, consolidando o festival como patrimônio imaterial da cidade.
Estrutura montada para receber o público
O recinto, na Avenida Menina Moça, 826, dispõe de 96,8 mil m² de área total, dos quais 6,5 mil m² são construídos. O espaço oferece:
- Estacionamento gratuito;
- Praça de alimentação com comidas regionais;
- Banheiros permanentes e adaptados;
- Museu do Folclore, aberto durante todo o evento;
- Parque de diversões para crianças;
- Pavilhões temáticos que abrigam oficinas, seminários e o Pavilhão dos Saberes e Sabores, onde artesãos e culinaristas demonstram ofícios tradicionais.
As arquibancadas da arena principal acomodam cerca de 15 mil pessoas por noite, e a entrada é livre em todos os dias.
Como chegar a Olímpia
Localizada 429 km ao norte da capital paulista, Olímpia fica próxima a São José do Rio Preto (50 km) e Barretos (49 km). Os principais acessos rodoviários são:
- Rodovia Anhanguera (SP-330);
- Rodovia Washington Luís (SP-310) – acesso no km 395, passando por Catiguá e Tabapuã;
- Rodovia Brigadeiro Faria Lima (SP-326);
- Rodovia Armando Sales de Oliveira (SP-322), km 442;
- Rodovia dos Bandeirantes (SP-348), com conexão à Anhanguera.
Para quem vem de avião, o aeroporto mais próximo é o de São José do Rio Preto, com voos diários das principais capitais. Empresas de transporte intermunicipal oferecem ônibus diretos para Olímpia a partir de Rio Preto, Campinas e São Paulo.

Imagem: Internet
O que ver nos primeiros dias
Embora a programação completa some 130 exibições noturnas, alguns momentos já despontam como imperdíveis. Confira o panorama dos três dias de abertura:
Sábado, 1º de agosto – Abertura oficial
- 18h30 – Lançamento do Anuário do festival no pavilhão institucional;
- 19h – Inauguração da Vila Brasil, exposição permanente sobre os 21 estados representados;
- 19h30 – Hasteamento das bandeiras e desfile das delegações na arena;
- 20h – Cerimônia de abertura com participação de 1,2 mil alunos da rede municipal;
- 21h30 – Primeiras apresentações: Mineiro Pau e Boi Pintadinho (RJ), Ciranda de Tarituba (RJ) e Afoxé Maxambomba (RJ), entre outros;
- 23h30 – Show de Neguinho da Beija-Flor, conectando o samba-enredo à temática fluminense.
Domingo, 2 de agosto – Cortejo e maratona folclórica
- 9h – Missa em ação de graças na igreja matriz;
- 19h30 – Passarela do Folclore: cortejo pelas avenidas internas do recinto;
- 19h30 – Palco principal recebe 15 grupos, de congadas do Espírito Santo a bumba-meu-boi do Maranhão, passando por tribos indígenas de Roraima e CTG gaúcho.
Segunda, 3 de agosto – Folclore invade a cidade
- 8h – Seminário de estudos no espaço do Minifestival;
- 10h – Peregrinação musical pelas ruas centrais com congadas, afoxé e bacamarteiros;
- 14h – Minifestival infantil, envolvendo alunos da rede municipal e APAE;
- 19h30 – Noite para ritmos do Norte e Nordeste, com suça do Tocantins, coco alagoano, carimbó marajoara e caboclinho pernambucano.
A programação segue até domingo (9), quando um grande “arrasta-pé” encerra oficialmente o Fefol. Detalhes diários podem ser consultados nas redes sociais da organização ou nos murais informativos espalhados pelo recinto.
Impacto cultural e econômico
Além de manter vivas expressões tradicionais muitas vezes restritas a comunidades do interior do país, o evento injeta fôlego na economia local. A prefeitura estima ocupação hoteleira próxima de 100% e circulação de 100 mil visitantes ao longo dos nove dias. Restaurantes, pousadas e pontos turísticos adjacentes, como o parque aquático da cidade, já trabalham com reservas antecipadas desde o início do ano.
Para os grupos participantes, o festival é vitrine e espaço de intercâmbio. Oficinas de dança, seminários acadêmicos e rodas de conversa aproximam mestres populares de pesquisadores universitários, favorecendo o registro e a continuidade das práticas.
Serviço essencial
- Quando: 1º a 9 de agosto, diariamente a partir das 18h (programação diurna a partir das 8h em dias úteis).
- Onde: Recinto de Exposições Professor José Sant’anna – Av. Menina Moça, 826, Jardim Menina Moca, Olímpia (SP).
- Entrada: Gratuita, com doação opcional de 1 kg de alimento.
- Transporte urbano: Linhas especiais partem do Terminal Rodoviário Municipal a cada 30 minutos durante o festival.
- Informações: (17) 3279-1000 – Secretaria Municipal de Cultura e Turismo.
Entre danças que cruzam o país de norte a sul, o Fefol reafirma seu propósito: celebrar o Brasil profundo, diverso e, como diz o tema deste ano, sempre pronto para “aquele abraço”.
