“Agora posso sair, prestar as homenagens que queria e seguir vivendo.” A frase resume o alívio de Bruno Lira da Silva, 17 anos, ao deixar o Hospital Regional do Cariri, na quinta-feira (30). Ele é o último dos feridos no acidente envolvendo o ônibus do time de basquete de Juazeiro do Norte, que tombou na CE-187, em Tauá, em 15 de junho, provocando a morte de sete atletas e ferindo dezenas.
Foram 45 dias de internação, quatro cirurgias e uma rotina que agora recomeça em casa, cercada pelo luto coletivo e pelo desejo de manter viva a memória dos companheiros de equipe que não resistiram.
Alta hospitalar devolve rotina ao jovem atleta
Bruno voltou para Juazeiro do Norte depois de passar pelos primeiros socorros no hospital de Tauá e, em seguida, por um longo tratamento no Cariri. O resultado dos procedimentos cirúrgicos no braço esquerdo foi considerado positivo pelos médicos, mas ele ainda depende de sessões intensivas de fisioterapia para recuperar totalmente a mobilidade.
Segundo o adolescente, a convivência diária com enfermeiros e fisioterapeutas trouxe lições sobre resiliência: “Aprendi que a vida é muito curta; cada segundo importa. Vou usar essa segunda chance para honrar quem se foi”.
Delegação voltava campeã
No momento do acidente, a equipe retornava de Sobral, onde a categoria sub-19 havia conquistado o título de um torneio regional. O clima de celebração se transformou em tragédia quando o ônibus tombou numa curva do distrito de Santa Tereza. Sete jogadores morreram no local e dezenas foram socorridos, entre eles Bruno, que ficou gravemente ferido.
Recomeço entre livros, fisioterapia e o sonho de voltar às quadras
Aluno do 3º ano na Escola de Ensino Médio em Tempo Integral Presidente Geisel (Polivalente), Bruno terá uma readaptação gradual às aulas presenciais. A direção ofereceu acompanhamento pedagógico e psicológico para que ele possa conciliar a recuperação física com a preparação para o Enem e o vestibular. O plano é cursar Educação Física, área que sempre o aproximou do esporte.
Em casa, a mãe, a cuidadora Ana Maria Lira, celebra o retorno do filho: “É uma sensação de recomeço. Foram 45 dias de incerteza, mas Deus nos deu essa oportunidade”. Ela organiza a nova rotina, que inclui transporte até as sessões de reabilitação e adaptação de espaços para facilitar a locomoção do jovem.
Meta é voltar a competir em 2027
Com o braço ainda imobilizado em algumas atividades, Bruno determina prazos realistas: quer retomar os treinos apenas depois que os médicos liberarem a carga plena de exercícios. A expectativa dele é retornar às quadras no próximo ano: “O basquete segue como parte de mim; preciso de tempo, mas estarei de volta”.

Imagem: Internet
Amizade e luto compartilhados
No primeiro dia em casa, Bruno recebeu a visita do colega Cícero Igor Silva Lima, 18 anos, que ficou cinco dias internado após o acidente. O reencontro emocionou os dois atletas: “É hora de comemorar a vida e lembrar dos que partiram”, disse Igor, ao abraçar o amigo.
Além das visitas, Bruno pretende participar de cerimônias e partidas comemorativas em honra aos sete companheiros. “Perdi o enterro de todos eles porque ainda estava no hospital. Agora, posso finalmente prestar minhas homenagens”, afirma.
Rede de apoio amplia cuidados
Professores, colegas de classe e a federação local de basquete se mobilizaram para auxiliar na fisioterapia, transporte e reforço escolar. Uma rifa organizada pelo time já arrecada recursos para custear sessões extras de reabilitação.
Investigação aponta ausência de falha mecânica ou uso de álcool
Enquanto as famílias lidam com a dor e a reconstrução, a Polícia Civil do Ceará mantém aberto o inquérito que apura as circunstâncias do acidente. A perícia inicial não encontrou problemas mecânicos no ônibus, e exames toxicológicos descartaram consumo de álcool ou drogas pelo motorista.
Os laudos técnicos foram anexados ao processo, que segue na Delegacia de Tauá. Novas oitivas ocorrerão nas próximas semanas para esclarecer fatores como velocidade, condições da pista e eventual sobrecarga de peso no veículo. Até o momento, nenhuma responsabilidade criminal foi atribuída.
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