A resposta apresentada pela defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), gerou desconforto entre aliados do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). No documento protocolado na noite de quarta-feira (16), os advogados afirmam que o ex-chefe do Executivo “jamais soube que a carta seria publicizada” e que não houve “orientação, ajuste ou combinação prévia” para a leitura do texto nas redes sociais.
A manifestação foi encaminhada depois de Moraes conceder prazo de 48 horas para que a defesa explicasse se Bolsonaro tinha ciência de que o filho exibiria o documento em uma live no último sábado (13). O ministro agora aguarda parecer da Procuradoria-Geral da República (PGR), que tem cinco dias para se pronunciar.
Visitas suspensas e investigação eleitoral
Na segunda-feira (14), Moraes já havia determinado o envio do caso ao procurador-geral eleitoral para apurar possível propaganda antecipada e suspendeu por 90 dias o direito de Flávio visitar o pai, sob o argumento de que o encontro foi usado para obter material destinado à divulgação pública.
Aliados veem constrangimento político
Reservadamente, apoiadores do senador avaliam que a linha adotada pela defesa do ex-presidente fragiliza Flávio no momento em que ele tenta consolidar sua pré-candidatura ao Planalto e unificar diferentes correntes do bolsonarismo. Desde sábado, o parlamentar dizia a interlocutores que a iniciativa de ler a carta partira do próprio pai e, durante a transmissão, agradeceu por ter sido escolhido como “porta-voz”.
Para esse grupo, a versão entregue ao STF transmite a ideia de que a decisão de tornar o documento público foi exclusiva do senador, o que reabre disputas internas e reforça temores de que Flávio volte a ser apontado como responsável por novos desgastes jurídicos envolvendo o ex-presidente.
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Carta pedia união em torno da candidatura
No texto lido na live, Bolsonaro apresenta o filho como “a melhor opção para livrarmos o Brasil da corrupção, da violência e do empobrecimento” e convoca apoiadores a encerrarem divergências. Segundo aliados, o objetivo era pacificar o grupo diante de resistências de nomes como a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro.
Apesar disso, os advogados argumentaram ao STF que o ex-presidente apenas entregou a carta durante uma visita e desconhecia a intenção de exibi-la ao vivo. Também lembraram que outras mensagens escritas por Bolsonaro já haviam sido tornadas públicas sem contestação judicial e garantiram que ele “jamais buscou utilizar terceiros para contornar as restrições” impostas pela prisão domiciliar.
Com informações de O Globo
