Brasília — A Polícia Federal (PF) concluiu que a Confederação Nacional dos Agricultores Familiares e Empreendedores Familiares Rurais (Conafer) multiplicou sua arrecadação proveniente de descontos associativos em benefícios do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) justamente no período em que a pandemia de Covid-19 limitava o atendimento presencial.
De acordo com o relatório final da Operação Sem Desconto, entre 2019 e 2025 a entidade recebeu R$ 708 milhões descontados de aposentadorias e pensões. Em agosto de 2019, os repasses mensais somavam cerca de R$ 14 mil; em 2024, ultrapassaram R$ 24 milhões em um único mês.
Liberação contestada em 2021
A PF destaca que parte da expansão ocorreu após a liberação de R$ 15,3 milhões que estavam retidos por questionamentos sobre autorizações para os descontos. A autorização foi concedida em julho de 2021, quando José Carlos Oliveira chefiava a Diretoria de Benefícios do INSS. Segundo os investigadores, o pagamento foi feito sem que a Conafer apresentasse a documentação exigida no acordo de cooperação técnica com o instituto.
Evolução anual de repasses
Os valores recebidos pela confederação, segundo a investigação, foram:
• 2020: R$ 77,5 milhões
• 2022: R$ 202,3 milhões
• 2024: R$ 297,9 milhões
Aumento de bloqueios judiciais
O documento também mostra crescimento nas ordens de bloqueio judicial contra recursos da Conafer: R$ 380 mil em 2021, R$ 2,28 milhões em 2022 e R$ 4,12 milhões em 2024. Para a PF, as decisões judiciais acompanharam a alta nas reclamações de beneficiários registradas nos canais do INSS, em processos judiciais e em plataformas de defesa do consumidor.
Imagem: Internet
Estrutura organizada
Durante a apuração, foram encontradas mensagens e planilhas que listavam representantes municipais, autoridades locais e contatos políticos. Segundo a PF, o material indica uma rede estruturada para ampliar a atuação da Conafer em diversas cidades do país.
A Operação Sem Desconto apura descontos associativos considerados irregulares em benefícios previdenciários e resultou no indiciamento de dezenas de pessoas por crimes como organização criminosa, corrupção, lavagem de dinheiro e inserção de dados falsos em sistemas públicos.
Com informações de Metrópoles
