A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) criticou nesta quarta-feira, 15 de julho, a decisão dos Estados Unidos de aplicar tarifa adicional de 25% a exportações brasileiras, concluindo investigação conduzida pelo Escritório do Representante Comercial norte-americano (USTR).
Em nota, a entidade classificou a medida como “especialmente prejudicial” por atingir apenas o Brasil, reduzindo a competitividade do país frente a outros exportadores. O presidente da Fiesp, Paulo Skaf, afirmou que o mercado norte-americano é o principal destino de bens brasileiros de maior valor agregado e que o novo “pedágio” se soma a desafios internos como alta carga tributária e juros reais elevados.
Críticas à condução diplomática
O comunicado também responsabiliza o governo brasileiro por “ruídos diplomáticos desnecessários, críticas personalistas, discursos eleitorais e desalinhamento político com Washington”, postura que, segundo a federação, teria dificultado uma solução técnica e pragmática junto às autoridades dos EUA.
Investigações amparadas na Seção 301
A sobretaxa decorre de inquérito baseado na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, que questionou ações do Brasil em áreas como comércio digital, tarifas preferenciais, combate à corrupção, propriedade intelectual, etanol e desmatamento ilegal. O relatório também fez apontamentos sobre o Pix e o Banco Central do Brasil.
O governo de Donald Trump justificou a nova tarifação alegando práticas desleais brasileiras que onerariam empresas dos Estados Unidos, apesar de a balança bilateral ser superavitária para os norte-americanos. A lista divulgada pelo USTR pode atingir cerca de 4 mil produtos, com impacto estimado em US$ 14,9 bilhões nas vendas externas do Brasil, conforme levantamento da Confederação Nacional da Indústria (CNI).
A recomendação foi enviada à Casa Branca para decisão final de Trump, encerrando o rito das investigações que incluíram audiências públicas com empresários e representantes da sociedade civil.
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Reação do Ministério da Fazenda
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, voltou a classificar as tarifas como “desproporcionais e injustas” e informou que o governo avalia medidas de contenção para os setores afetados. Em boletim, a pasta estimou, contudo, que o impacto macroeconômico deve ser limitado.
A Fiesp declarou que seguirá atuando junto a parceiros nos Estados Unidos para tentar reverter ou mitigar a nova tarifa por meio da ampliação de isenções.
Com informações de Metrópoles
