Queda de rejeição de Lula e avanço de Flávio na Quaest elevam tensão no PL

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    Brasília — A pesquisa Genial/Quaest divulgada nesta quarta-feira (15) acendeu o sinal de alerta entre aliados de Flávio Bolsonaro (PL-RJ). O levantamento aponta Luiz Inácio Lula da Silva (PT) com 45% das intenções de voto em um eventual segundo turno, contra 37% do senador, vantagem que, segundo integrantes do PL, consolida os efeitos de uma série de crises enfrentadas pela pré-campanha desde maio.

    Rejeição em direções opostas

    Os números que mais preocupam o entorno de Flávio são os de rejeição. A desaprovação ao petista caiu de 55% em abril para 50% em julho, enquanto a do parlamentar subiu de 52% para 57%, tornando-o o presidenciável mais rejeitado entre os nomes testados pela Quaest.

    Nas redes sociais, Flávio ironizou os resultados e elogiou a proposta do presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) de criar um “selo” para os institutos que mais se aproximarem do resultado das urnas — iniciativa que enfrenta resistência dos institutos.

    Série de crises desde maio

    A pesquisa, avaliam interlocutores do senador, reflete um período de turbulência iniciado com a revelação da relação dele com o banqueiro Daniel Vorcaro no episódio do financiamento do filme “Dark Horse”. Naquele mês, Lula e Flávio apareciam tecnicamente empatados. Depois, vieram:

    • Desgaste prolongado pelo caso “Dark Horse”;
    • Críticas públicas de aliados de Eduardo Bolsonaro à estratégia da campanha;
    • Divergências na comunicação interna e questionamentos sobre organização;
    • Crise com a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro;
    • Viagem de Flávio aos Estados Unidos em meio ao aumento de tarifas sobre produtos brasileiros.

    A avaliação é que as crises se sobrepuseram e impediram a campanha de retomar a iniciativa política. Embora não se discutam mudanças na coordenação, aliados cobram que o senador amplie o diálogo com dirigentes partidários e mostre “mais humildade”.

    Impacto do confronto com Michelle

    Entre os episódios recentes, a briga pública com Michelle Bolsonaro foi apontada como o mais danoso. Segundo a Quaest, 45% dos entrevistados consideram que a ex-primeira-dama agiu corretamente ao divulgar vídeo com críticas ao enteado; 38% acham que ela errou. Além disso, 42% concordam mais com Michelle, contra 18% que apoiam Flávio.

    Para tentar conter perdas entre mulheres e evangélicos — bases onde Michelle tem forte influência —, o senador lança nesta quinta-feira o programa Brasil por Elas, conjunto de propostas direcionadas ao público feminino.

    Aposta no “defeso eleitoral”

    O entorno de Flávio acredita que a vantagem de Lula se alimentou de benefícios distribuídos pelo governo e de uma sequência de inaugurações e anúncios de investimentos antes do início das restrições impostas pela legislação eleitoral a ocupantes de cargos públicos. Com o fim dessa vitrine institucional, apostam, o petista pode perder exposição e voltar a enfrentar alta de rejeição.

    Entre as medidas federais citadas estão a ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda, novos ciclos do programa Desenrola, iniciativas como Gás do Povo e Luz do Povo, além de linhas de crédito. A Quaest apontou que 35% dos entrevistados disseram ter visto aumento significativo de renda com o “Desenrola 2.0”.

    Olho nos independentes e nas disputas regionais

    Nos eleitores independentes, a aprovação a Lula subiu de 32% para 45% desde abril, enquanto a desaprovação caiu de 58% para 45%. Para reverter esse quadro, a campanha de Flávio mira avanços em estados estratégicos e conta com palanques fortes, como o de Tarcísio de Freitas (Republicanos) em São Paulo, favorito para vencer no primeiro turno.

    Espaço para ataques

    Aliados do senador veem no inquérito da Polícia Federal sobre o petista Jaques Wagner (PT-BA) uma oportunidade de deslocar o debate para o Palácio do Planalto. Segundo a Quaest, 61% consideram que o ex-líder do governo agiu de forma errada no caso Banco Master, e 37% enxergam impacto “muito negativo” na campanha de Lula.

    Apesar das evidências de desgaste, apoiadores de Flávio afirmam que o cenário ainda é reversível e que monitoramentos internos mostram resultados mais equilibrados. “Ninguém aguenta mais o PT no governo”, declarou o senador Izalci Lucas (PL-DF), expressando confiança em uma virada no segundo turno.

    Com informações de O Globo

    Rafael Oliveira é criador de conteúdo digital e editor com foco em entretenimento, reality shows e notícias do mundo dos famosos. Seu trabalho é voltado para levar informações rápidas, atualizadas e relevantes sobre os principais acontecimentos da TV e das redes sociais.