São Paulo — O presidente nacional do PRTB e pré-candidato à Presidência da República, Leonardo Alves de Araújo, conhecido como Leonardo Avalanche, responde a processo na Justiça Eleitoral paulista pela acusação de violência política de gênero e associação criminosa.
O Ministério Público apresentou denúncia em janeiro de 2026, mantida três meses depois. Conforme o promotor Renato Kim Barbosa, Avalanche teria fraudado a eleição interna do partido, realizada em janeiro de 2024, ao recrutar pessoas que se passaram por fundadoras da legenda utilizando documentos de identidade falsificados.
Perseguição a correligionária
Após se eleger, o dirigente teria passado a perseguir politicamente a filiada Rachel de Carvalho. A denúncia aponta assédio, ameaças, constrangimentos e humilhações marcados por misoginia. Em reuniões, ele teria dito que “mulher só serve para cumprir cota” e pressionado a vítima a aderir a supostos esquemas de extorsão contra prefeitos e outros políticos.
O processo relata ainda ameaças de morte. Segundo depoimento de Carvalho, em um evento num restaurante da Mooca, zona leste paulistana, em março de 2024, Avalanche afirmou que ela deveria “se despedir da família” caso recebesse um código específico por telefone.
Esse episódio também é investigado na esfera penal e corre sob segredo de Justiça.
Defesa nega irregularidades
Avalanche declarou que contestará “integralmente” as imputações. Para ele, o recebimento da denúncia não equivale a condenação e as alegações serão rebatidas com provas durante o processo. Sobre as ameaças atribuídas a ele, o pré-candidato atribuiu a narrativa a uma disputa interna no PRTB.
Outra ação no Distrito Federal
Além do caso de São Paulo, o dirigente enfrenta processo penal na Justiça Eleitoral do Distrito Federal, também por suposta fraude na composição do partido. Investigadores apontam que ele teria cooptado falsos fundadores da legenda no DF e alegado influência sobre ministros de tribunais superiores, incluindo o TSE. Diálogos apreendidos indicariam uso indevido do sistema Filia para excluir adversários internos.
Imagem: Maria Isabel Oliveira
Em 28 de maio de 2026, as provas coletadas no DF foram compartilhadas com a ação paulista.
Atuação em campanhas e polêmicas
Avalanche ganhou visibilidade em 2024 ao coordenar a campanha de Pablo Marçal à Prefeitura de São Paulo. Em texto que oficializou sua pré-candidatura ao Planalto, atribuiu a si papel “decisivo” na disputa municipal.
No mesmo ano, Marçal pediu o afastamento imediato de Avalanche do comando do PRTB após surgirem suspeitas de ligação dele com o Primeiro Comando da Capital (PCC). Áudio divulgado pela imprensa mostrava o dirigente sugerindo ter colaborado para a soltura do traficante André do Rap e relatando que seu motorista receberia ligações de dentro de presídios. Avalanche respondeu que desconhecia a gravação e insinuou que o conteúdo poderia ter sido gerado por inteligência artificial. Meses depois, Marçal e o correligionário se reconciliaram, e o ex-coach negou envolvimento do aliado com a facção.
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Com informações de O Globo
